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domingo, 29 de maio de 2022

Mercados americanos: sete semanas vermelhas depois...


      E ao fim de sete semanas negativas, tivemos finalmente uma semana positiva! O que quer isso dizer em termos da evolução dos índices nas próximas semanas? Nada, ou quase nada. Apesar do optimismo estar de volta entre muitas pessoas que deviam saber melhor, a realidade é que uma semana positiva ao fim de sete semanas negativas é algo perfeitamente normal e até expectável num contexto de desvalorização da bolsa. E nem sequer precisamos de recuar muito tempo para encontrar provas disso, basta recuarmos até à segunda semana de Março deste ano de 2022:

 


Reparem como a vela japonesa desta semana de 23-27 de Maio (+6,58 %) é muito semelhante à da vela da semana de 14-18 de Março (+6,16 %), e nem por isso as quedas ficaram por aí. E a verdade é que agora estamos muito pior do que em Março, por várias razões:

1. Em Março, o índice tinha rejeitado claramente a linha do pescoço do "cabeça e ombros" potencial que temos vigiado nas últimas semanas (≈ 4200 pts); mas, agora em Maio, o $SPX fechou claramente abaixo dessa linha do pescoço; chamo a atenção para isto porque, no passado dia 11, partilhei aqui esta imagem, com quatro possíveis evoluções do índice,

 

 

Ora, eu não o disse na altura, mas de todos estes quatro possíveis desfechos, o desfecho (d) é precisamente o menos desejável, porque corresponderia à validação do "cabeça e ombros", ou seja, ao muito provável início de quedas ainda mais rápidas e acentuadas.

Agora olhem novamente para o primeiro gráfico e tirem as vossas conclusões. Não, ainda não temos (d), mas estamos bem caminhados para o virmos a ter nas próximas semanas. Isto não é uma previsão! É simplesmente uma forte possibilidade neste momento.
2. Em Março, a média móvel a 200 dias (ou a 40 semanas, no gráfico acima), ainda estava ascendente; isto, só por si, não é muito significativo, mas a juntar ao padrão mencionado no ponto anterior, torna-se possível que a ma(40) venha a constituir-se como barreira/resistência à subida do índice.

3. Desde o início das quedas (Janeiro), o RSI ainda nunca entrou em território de 'sobrevendido' (<30), o que poderá indicar que as quedas estão para durar.

4. Em Março, ainda havia alguma esperança de que a inflação abrandasse em Abril; mas depois verificou-se que a inflação continuou a aumentar, e é muito provável que tenha continuado a aumentar em Maio (valor ainda por divulgar).

 

Posto isto, não é impossível que o $SPX continue a subir no futuro próximo. Mas eu continuo pessimista quanto ao longo prazo, e a aguardar pacientemente que o "cabeça e ombros" seja confirmado ou rejeitado, de preferência a segunda, mas provavelmente a primeira.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A pressão vendendora sobre o S&P 500 parece estar a acumular-se...


...mas ainda é cedo para apostar nas quedas. No entanto, aqui fica um exercício engraçado: o gráfico do S&P 500 sobreposto a um "índice de sentimento especulativo", um rácio determinado a partir da diferença entre as posições longas abertas e as posições curtas abertas (na parte inferior do gráfico).


Há três fenómenos dignos de registo:
  1. O número de "ursos" (linha vermelha) está a aumentar, i.e. há cada vez mais especuladores a apostar na queda do S&P 500;
  2. A linha verde ("touros") diminui com o arranque inicial do preço, estabilizando na casa dos 1000;
  3. A diferença "ursos" - "touros" é a maior observada desde Agosto do ano passado, mas isso não significa necessariamente que o S&P 500 vá cair nos próximos tempos; pode ver-se, olhando para o período entre Outubro e Dezembro, que o índice de sentimento especulativo pode permanecer negativo durante muito tempo até que o índice caia finalmente.
Entretanto, pode ver-se no gráfico diário, que a divergência entre o índice os indicadores técnicos (RSI, CMF e PPO) se mantém:


Bastante mais interessante está neste momento o gráfico semanal $SPX, com a vela mais recente (que, atenção, só ficará definida amanhã) a formar uma potencial "estrela candente" (shooting star), um importante sinal da possibilidade de reversão:


sábado, 11 de outubro de 2014

Texas Instruments (TXN:Nasdaq Global Select) - Diário 2014/OUT/10


Vale bem a pena olhar para o gráfico diário da Texas Instruments, inc., acção que muita mágoa me deu esta semana, ao cair mais de 7% na sessão de ontem, activando a Stop Loss que eu tinha na zona dos $44 e limpando os ganhos dos últimos meses. Apesar de os fundamentais da TXN continuarem bons, não devo voltar a comprá-la tão cedo, porque o panorama técnico actual é assustador. O gap de abertura foi enorme, destroçando completamente a zona de suporte que pintei no gráfico em baixo a cor amarela. Ainda por cima, com uma expansão do volume transaccionado para mais de seis vezes a MME(60), validando um padrão gráfico de reversão muito conhecido entre os analistas técnicos: o topo duplo.


Vale pois a pena revisitar a definição de topo duplo: «o topo duplo é uma figura de reversão descendente que aparece tipicamente em gráficos de barras, linhas e velas japonesas. Conforme o seu nome implica, o padrão é constituído por dois picos consecutivos que são mais ou menos iguais, com um patamar intermédio entre eles.

(...) Apesar de haver variações, o topo duplo marca pelo menos uma mudança a médio prazo, quando não uma mudança a longo prazo, de bullish (ascendente) para bearish (descendente). Muitos potenciais duplos topos podem formar-se ao longo do Bull Market, mas até o suporte-chave ser quebrado, a reversão não pode ser confirmada.»

Infelizmente, este topo duplo observado na TXN é tão evidente que não deixa margem para dúvidas. Existem pelo menos oito características clássicas que permitem identificar um topo duplo e este gráfico confirma pelo menos sete dessas características, com a outra a poder ser confirmada na próxima Segunda-feira:

1. Tendência ascendente inicial:  presente; a TXN esteve a subir nos meses que precederam esta queda.

2. Primeiro pico: presente; o primeiro pico marca a zona de resistência que limitará a figura de reversão (linha horizontal a cor verde no gráfico), impedindo a progressão do preço.

3. Patamar intermédio: presente; depois do primeiro pico, um topo duplo costuma ter um "vale" onde o preço recua tipicamente entre 10% e 20%. Neste caso, a queda ficou-se pelos 7,35%, i.e. (49,22-45,6)/49,22, ainda assim um valor mais do que suficiente para validar um padrão deste género. Além disso, há outra característica que está claramente no gráfico: «os fundos deste padrão são muitas vezes arredondados, denunciando uma procura de acções tépida».

4. Segundo pico: o avanço a partir do patamar intermédio ocorre geralmente com baixo volume (presente!), indo ao encontro da resistência onde se formou o primeiro pico. (...) O período entre picos varia entre algumas semanas a muitos meses, com a norma a rondar o intervalo 1-3 meses (presente: temos dois meses e uma semana). Apesar de os picos serem preferencialmente exactos (i.e. com o mesmo valor), diferenças até 3% são aceitáveis (presente: a diferença no caso da TXN não chega a 1%).

5. Queda a partir do segundo pico: a queda a partir do segundo pico deverá ser acompanhada por um crescimento do volume transaccionado (presente: observe-se a zona a partir de 22 de Setembro). O movimento do preço acelera, podendo dar origem a um ou mais gaps, indicando que as forças da procura são mais fracas do que as da oferta e que um novo teste ao suporte está iminente (presente: houve pelo menos quatro gaps na descida, tendo o suporte sido atingido no dia 7 de Outubro).

6. Quebra do suporte: a quebra do suporte no nível mais baixo entre os dois picos confirma o Topo Duplo (presente: está mais que quebrado!). A quebra deverá ocorrer com um aumento de volume e/ou uma aceleração do movimento descendente (presentes!)

7. O suporte transforma-se em resistência: uma vez quebrado, o suporte passa a constituir um potencial nível de resistência. Por vezes, há um novo teste a este nível com um rally de reacção (também designado por 'dead cat bounce'). Este teste poderá oferecer uma nova chance de fechar a posição e abrir uma posição curta (parece-me improvável, dada a enorme amplitude do gap, mas não impossível).

8. Preço-alvo: a distância da ruptura do suporte ($ 45,6) deve ser subtraída ao pico ($ 49,37) para obter um preço alvo (49,37-45,6 = 3,77). Presente: preço-alvo = 46,6-3,77 = 41,83, já atingido e superado (41,57).

Portanto, a TXN está perigosíssima neste momento e o melhor é mesmo deixa-la em paz por uns tempos, a menos que o ponto nº 7 se verifique...