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terça-feira, 16 de junho de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (7)


    Aqui ficam mais alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação, o gigante Peter L. Brandt. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. O texto original (traduzido) está entre aspas e a cor preta, os meus comentários estão a cor verde.


VII. Sinais de transacção: padrões horizontais vs. padrões diagonais

«Eu prefiro de longe utilizar padrões cujas fronteiras são horizontais ou planas, tais como as linhas que delimitam um rectângulo, um triângulo ascendente, uma “cabeça e ombros”, etc. A estes padrões, eu chamo “padrões horizontais”. A razão pela qual os padrões horizontais são geralmente melhores para especular é o facto de a penetração ocorrer usualmente em simultâneo com a superação do máximo ou do mínimo do padrão.»
p. 63

Um exemplo de "padrão horizontal" é aquele que o Peter Brandt apresenta para o ouro ($GOLD) no gráfico que se segue:



Diz o Sr. Brandt: 

«No rectângulo que se desenvolveu no ouro em 2007, a penetração decisiva da fronteira superior coincidiu com a superação do máximo de Abril. Isto sinalizou um movimento ascendente.

Pelo contrário, os padrões diagonais apresentam linhas de fronteira com declive. A minha experiência é que há muitas mais penetrações falsas e prematuras nos padrões delimitados por este género de linhas, comparativamente aos padrões horizontais. Além disso, a penetração de uma linha diagonal pode ou não violar um máximo ou um mínimo precedente.»
pp. 63-64

A título de exemplo, o Sr. Brandt mostra-nos este gráfico do par cambial EUR/USD em 2009: 


«A linha de tendência foi violada em Novembro, colocando um dilema: redesenhar a linha ou lidar com as violações recorrentes, como aquela que teve lugar em finais de Novembro?»
p. 64

Devo dizer que eu, como utilizador habitual das linhas de tendência (LT), discordo da visão do Sr. Brandt. O problema é que as LT não foram concebidas para serem utilizadas como gatilhos ou sinais de transacção. As LT são apenas indicadores da direcção tendência e não devem ser encaradas como mais do que isso. Quando uma determinada LT é quebrada, o especulador deve interpretar o fenómeno como um enfraquecimento da tendência, não como um sinal da sua extinção. Apostar na queda de um mercado só porque uma LT ascendente foi quebrada é um erro crasso. A quebra pode realmente ser seguida por quedas continuadas, mas também pode apenas dar lugar a uma tendência de subida menos íngreme.

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Ver também: 

sábado, 6 de junho de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (6)


   Aqui ficam mais alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação, o gigante Peter L. Brandt. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. O texto original (traduzido) está entre aspas e a cor preta, os meus comentários estão a cor verde.


  VI. Sinais de transacção: as "linhas de gelo" (2)

«É estupendo quando os máximos e os mínimos intermédios de um determinado padrão gráfico providenciam pontos de fixação exacta para as linhas de fronteira [N.B. como no gráfico do par cambial GBP/USD da figura mostrada na parte V]. No entanto, essa é a excepção, não é a regra. A verdade é que uma linha de fronteira deve ser sempre desenhada de forma a encaixar o melhor possível numa determinada área de consolidação de preços, mesmo que isso signifique que essa linha tenha de atravessar algumas das barras de preços.» 
p. 60

O Sr. Brandt distingue entre três tipos de penetrações da “linha de gelo”: 

«1. Movimentos para fora da linha: há ocasiões em que uma barra de preço diário penetra significativamente uma linha de fronteira mas depois regressa quase imediatamente ao padrão geométrico. Este fenómeno designa-se por movimento para fora da linha. (…) A história mostra que este tipo de movimentos é uma anomalia em relação à forma geral do padrão, sendo raro durarem mais de que um ou dois dias. Abaixo, apresentam-se duas figuras que ilustram movimentos para fora da linha. O primeiro, no gráfico diário do açúcar ($SUGAR), mostra um movimento para fora da linha de 1 dia (o preço subiu acima da linha nesse dia, mas voltou ao padrão no dia seguinte):


O segundo movimento para fora da linha, no gráfico diário do açúcar branco de Nova Iorque, durou vários dias:



2. Penetração prematura: é um pouco diferente do movimento para fora da linha porque, neste caso, o preço vai significativamente para além da linha e mantém-se na região exterior durante vários dias antes de regressar ao padrão. Só depois ocorre a penetração verdadeira, que leva o preço muito para além dos níveis alcançados durante a penetração prematura. O gráfico abaixo, onde se ilustra a evolução do subíndince de Cacau da Bloomberg ao longo dos primeiros três trimestres de 2009, mostra uma penetração prematura (em Junho). A penetração definitiva só acontece em meados de Julho.



3. Penetração falsa: ao contrário da penetração prematura, que é seguida por uma penetração genuína na mesma direcção, a penetração falsa tem como resultado o desenvolvimento de um padrão muito mais prolongado ou, no pior caso, um forte movimento na direcção contrária. Alguns traders referem-se a isto como uma “armadilha para ursos” (em inglês, bear trap), porque implica que aqueles que se posicionaram na direcção do movimento inicial acabam por ficar presos no lado contrário à direcção do mercado. Na figura que se segue, é possível observar-se uma penetração falsa o índice alemão DAX (Deutshcer Aktien Index).


Em 2009, um belíssimo exemplo de penetração falsa ocorreu nos mercados americanos. Conforme se pode ver na figura em baixo, os preços fecharam abaixo da linha do pescoço de um padrão de “cabeça e ombros” [N.B.: figura de reversão]. Mantiveram-se abaixo da linha do pescoço durante cinco dias, mas depois reverteram e subiram rapidamente. A acção de preços a partir de 14 de Julho [novo teste à linha do pescoço com subsequente rejeição] mostrava que tinha sido activada uma “armadilha para ursos”. A partir do dia 16 de Julho, o mercado subiu espectacularmente e fechou acima do ombro direito, dando assim um sinal de compra muito fiável.»
pp. 60-63



Já agora, o Sr. Brandt não usa médias móveis, mas havia no gráfico acima uma indicação importante de que o padrão de "cabeça e ombros" podia vir a falhar: a média móvel a 50 dias estava a subir e cruzou a média móvel a 200 dias, que estava a descer, de cima para baixo. Este fenómeno designa-se por "cruzamento de ouro" (golden cross) e, geralmente, indica que o mercado está a ganhar momento ascendente de longo prazo.

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Ver também: 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (5)


   Aqui ficam alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação, o gigante Peter L. Brandt. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. Texto original entre aspas e a cor preta, comentários do blogueiro a cor verde.


  V. Sinais de transacção: as "linhas de gelo" (1)

«O aspecto mais importante na identificação de uma oportunidade de transacção é a detecção de um sinal, evento ou momento para actuar. (…) A incerteza em relação à determinação desse sinal é um pecado mortal. É por esta razão que eu recomendo aos novatos que, antes de passarem para o trading real, pratiquem primeiro numa folha de cálculo ou numa conta de simulação.» 
p. 55 


[N.B.: uma advertência quanto às contas de simulação: por experiência própria, sei que as contas de simulação são um engodo destinado a caçar os papalvos. Sob o pretexto de nos deixarem experimentar a sua plataforma de simulação, as correctoras aproveitam para nos assediar diariamente, que por email, quer por telefone, até que finalmente cedamos e aceitemos assinar um contracto para aceder uma conta de transacção real. Se acabaram de chegar à bolsa, fiquem-se pela folha de cálculo. No mínimo por um ano, idealmente por dois. A regra de ouro é tão simples quanto isto: na vida, não há almoços grátis. No mundo financeiro, nem sequer há cervejinhas ou cafezinhos grátis. Tudo se paga mais tarde ou mais cedo, sobretudo o saber e a experiência!]


«Identificar uma penetração é bastante mais complicado do que simplesmente observar a violação da fronteira de um padrão. Todos os padrões são compostos por máximos e mínimos intermédios. São precisamente estes pontos que definem os parâmetros das linhas de fronteira. Para termos uma penetração válida, é necessário que o preço penetre também o mínimo ou o máximo mais recente da fronteira. O ideal é mesmo que o preço penetre o nível de preço mais alto ou mais baixo de toda a fronteira.»
p. 58



Este gráfico do para cambial GBP/USD ilustra o que o Peter L. Brandt quer dizer: as duas linhas do triângulo simétrico constituem a fronteira: a linha superior, com declive descendente, liga os 2,0397 pontos aos 2,0153 pontos. O máximo dessa fronteira é portanto 2,0397. Da mesma forma, a linha inferior une os 1,9353 pontos aos 1,9363 pontos. O mínimo dessa fronteira é pois 1,9353. Já agora, o Sr. Brandt não utiliza médias móveis, mas repare-se atentamente no que aconteceu ao declive da média móvel a quarenta semanas (ou a 200 dias, 5 x 40, representada no gráfico a cor azul escura) ao longo da figura de reversão (triângulo simétrico). No concerne à linha inferior do gráfico acima, o Sr. Brandt salienta:


«Eu chamo à fronteira inferior a linha de gelo, numa tentava de tentar traduzir a ideia que, tendo o preço rompido essa barreira, o ideal será que o preço não volte mais aos níveis de valorização anteriores. A linha de gelo é pois análoga à camada de gelo que reveste um lago no Inverno: acima da linha, o gelo impede uma pessoa ou veículo de cair pare dentro do lago; mas uma vez quebrada, a camada de gelo passa a constituir uma barreira à sua sobrevivência.»

terça-feira, 14 de abril de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (4)


  Aqui mais ficam alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação, o gigante Peter L. Brandt. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. Texto original entre aspas e a cor preta, comentários do blogueiro a cor verde.
 

 IV. As diferenças entre o mercado de acções e os mercados de matérias-primas

«Nos mercados de acções, quase todos são recompensados quando o mercado sobe. Mas o jogo de soma nula inerente aos mercados de matérias-primas e Forex implicam que os traders novatos têm de bater os traders profissionais e os interesses comerciais para conseguirem ter lucro. Os mercados de matérias-primas e Forex representam por isso um gigantesco jogo de carteiristas» [N.B.: no sentido em que é preciso uns perderem para os outros ganharem]
p. 44


«As operações de especulação financeira bem-sucedidas são determinadas em primeira instância pela forma como o risco é gerido. Muitos aspirantes a traders assumem erradamente que todas as suas transacções serão bem-sucedidas. Já os traders profissionais gerem os seus negócios sob o pressuposto de que cada transacção pode ser mal sucedida. [N.B.: isto pode parecer um contra-senso, mas a palavra-chave aqui é “pode”; é evidente que ninguém está à espera que todas as suas transacções vão ser mal sucedidas, senão nem sequer estaria no trading. No entanto, é preciso ter presente que, mesmo para os traders profissionais, muitas das transacções efectuadas são efectivamente mal sucedidas… e é preciso acautelar logo à partida essa possibilidade!]. Obviamente, existe uma diferença abismal entre estas as duas perspectivas, a dos novatos e a dos profissionais.»

p. 49


«Um bom trader deve ter bem presentes os seguintes pressupostos ao conceber o seu plano de transacção: 
   • A direcção provável de qualquer mercado não pode ser determinada simplesmente olhando para gráficos; 
   • Os gráficos são uma ferramenta, não são um método de previsão. Os traders podem obter uma ligeira vantagem ao estudar os gráficos, mas nunca devem usá-los para fazer previsões sobre a evolução dos preços; 
   • Os gráficos não devem ser usados para manter uma opinião ou posição constante num determinado mercado. 
   • Nunca devemos assumir que o próximo negócio será proveitoso. 
   • É bastante usual que um mercado contrarie a tendência que a sua estrutura gráfica geral sugere. 
   • Os mercados podem fazer movimentos enormes que não podem ser explicados pelos princípios do cartismo¹ clássico.» 
pp. 54-55
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(¹) Atenção que eu aqui estou a usar "cartismo" como uma tradução livre de "charting"; no entanto, é preciso salientar que, nos dicionários da língua portuguesa actualmente existentes, esta palavra tem um significado inteiramente diferente.

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Ver também: 

quarta-feira, 4 de março de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (3)


     Aqui ficam alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. Texo original entre aspas e a cor preta, comentários do blogueiro a cor verde.


 III. Sobre as limitações dos padrões gráficos

«Há três limitações importantes em relação cartismo¹ que devem ser bem interiorizadas por aqueles que seguem esta metodologia de análise técnica:

1. É muito fácil olhar para um gráfico e descrever o comportamento do mercado a posteriori. Eu vi exemplos incontáveis de livros e material promocional em que se usam gráficos históricos para evidenciar tendências magníficas e fazer parecer que é fácil ganhar dinheiro nos mercados. Mas a verdade é que o trading acontece em tempo real e a tarefa principal de um trader é por isso dificílima, porque o trader tem de antever como é que o gráfico vai ser no futuro, não no passado. Os padrões gráficos mais claros e significativos são geralmente compostos por outros padrões mais pequenos que nunca se chegaram a materializar. Nesse sentido, os gráficos são entidades orgânicas que evoluem ao longo do tempo, enganando os traders repetidamente até se concretizaram finalmente.

2. Os gráficos são ferramentas de transacção e não metodologias de previsão dos preços. Ao longo dos anos, eu tenho-me divertido imenso com os “economistas gráficos”, pessoas que estão constantemente a tentar reinterpretar os fundamentais com base nos últimos casos e reviravoltas dos gráficos [N.B.: os mé(r)dia financeiros ganham a vida a fazer precisamente isso, é por isso que quase tudo o que publicam é treta!] Há uma grande diferença entre abrir uma posição curta num mercado devido a um padrão gráfico e entre estar “bearish” nos fundamentais de um mercado por causa do mesmo padrão gráfico. Os gráficos representam uma ferramenta - ponto final. Qualquer outro uso dos gráficos para além disso levará apenas ao desapontamento e a perdas monetárias.

3. As emoções humanas não podem ser removidas das equações do trading. É impossível estudar e interpretar os preços constantes nos gráficos de uma forma completamente desligada do medo, da esperança e da ganância. É muito pouco prudente agir como se os gráficos nos fornecessem um método totalmente isento de compreender a evolução dos preços. A verdade é que o viés inerente ao trader transborda sempre para a sua forma de analisar os gráficos.»
pp. 37-38
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(¹) Atenção que eu aqui estou a usar "cartismo" como uma tradução livre de "charting"; no entanto, é preciso salientar que, nos dicionários da língua portuguesa actualmente existentes, esta palavra tem um significado inteiramente diferente.

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Ver também: 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt (2)


     Aqui ficam alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso, acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. Texo original entre aspas e a cor preta, comentários do blogueiro a cor verde.


 II. A gestão do dinheiro e do risco
 
«Há um velho adágio segundo o qual “é fácil fazer dinheiro nos mercados de matérias-primas, o problema é ficar com ele”. Há muita sabedoria nesta frase. Manter o nosso dinheiro depende da gestão do dinheiro e do risco. Os tempos dourados nunca chegarão àqueles que não forem capazes de manter o seu capital durante os dias difíceis.»
p. 29 


«Ser um especulador de sucesso não tem nada a ver com descobrir truques e magias para encontrar negócios fáceis. O sucesso de um especulador baseia-se em adoptar os mais sólidos princípios da gestão de risco. O sucesso de um trader decorre da repetição de determinadas tarefas, uma e outra vez, com disciplina e paciência.

O peso do factor humano no trading é de enorme importância e tem sido ignorado pelos autores do mundo financeiro. Reconhecer e gerir as emoções de medo e de ganância é central para se ter sucesso consistente no ofício da especulação. É possível ter sucesso ao longo dos anos, mesmo quando a maioria dos negócios resultam em perdas, porque a consistência do processo ao longo do tempo acaba por se sobrepor aos resultados de um dado negócio ou série de negócios.»
p. 30


«O trading é um negócio e todos os negócios de sucesso requerem um bom plano para as decisões a serem tomadas e as operações a serem realizadas.»
p. 31

«Ter sucesso no ofício da especulação é uma habilidade que requer uma aprendizagem extensiva e continuada na escola da vida, um processo que tem de ir ao encontro não apenas dos muitos aspectos relacionados com os mercados, mas também conduzir à mestria no autoconhecimento. (…) O trading é uma labuta árdua que envolve a mente, o espírito e todas as nossas emoções. (…) O trading requer uma abordagem abrangente que vai muito para além de se ter um palpite de que o mercado vai subir ou descer. O trading é um negócio que deve endereçar uma grande variedade de decisões e contingências.»
p.33


«Os cartistas¹ são injustamente criticados pela sua abordagem “hocus-pocus” aos mercados. Mas o cartismo¹ deve ser encarado como uma ferramenta de trading, não como um método de previsão de preços.»
p.33

(¹) Atenção que eu aqui estou a usar "cartistas" e "cartismo" como uma tradução livre de "chartists" e "charting"; no entanto, é preciso salientar que, nos dicionários da língua portuguesa actualmente existentes, estas palavras têm um significado inteiramente diferente.

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Ver também: 

sábado, 17 de janeiro de 2015

A sabedoria de Peter L. Brandt


   Aqui ficam alguns excertos do livro «Diary of a Professional Commodity Trader» (2011), da autoria de uma das maiores lendas-vivas da arte da especulação. A tradução, da minha autoria, é aproximada. Além disso acrescentei algumas notas para enriquecer ainda mais o texto. Texo original entre aspas e a cor preta, comentários do blogueiro a cor verde.


 I. O trading é uma arte ou uma ciência?

«O trading é uma arte ou é uma ciência? Ou será antes uma combinação das duas? Eu não tenho a certeza quanto às respostas a estas perguntas. E nem sequer tenho a certeza de que seja necessário saber a resposta a estas perguntas. Eu vejo o trading como uma habilidade. Um trader de sucesso é alguém que desenvolveu essa habilidade, aplicando as suas competências de uma forma semelhante a um jogador de futebol que aperfeiçoou a sua técnica de marcação de livres directos, ou a um soldador que aprimorou a arte de combinar metais exóticos, ou a um engenheiro de software que é capaz de resolver problemas complexos para desenvolver uma aplicação funcional. 

Todos aqueles que desenvolvem habilidades passam obrigatoriamente por um processo de aprendizagem. Este processo não se resume a passar um tempo específico numa sala de aula ou campo de treino. Mais do que isso, um processo de aprendizagem que leva ao desenvolvimento de uma habilidade é, necessariamente, uma colecção de experiências pessoais, profissionais e de propriedade que permitem adquirir o conhecimento e as competências necessárias para que se possa falar em habilidade.» 
p. 14 


«O trading é uma luta contra a corrente das emoções humanas. Fazer trading com sucesso e de forma consistente é um ofício muito duro. (…) Se o trading fosse fácil, qualquer um poderia fazê-lo para ganhar a vida. A especulação bem-sucedida pode levar ao aparecimento precoce de cabelos brancos, insónia e emoções exacerbadas. 

A especulação de sucesso é sobretudo a gestão do risco. Na verdade, alguns traders vêem-se a si próprios como gestores de risco [N.B.: não é a gestão que é de risco, é a gestão do risco, “risk management” e não “risky management”]. Não é tanto as cartas que se tem que fazem a diferença, mas sim a forma como se joga essas cartas. Nesse sentido, não tem sido dada a atenção merecida à gestão do dinheiro

Os traders novatos passam a maior parte do seu tempo a estudar métodos que lhes permitam identificar oportunidades de especular. Na minha experiência, essa é a parte menos importante do ofício. Na verdade, o método mediante o qual um trader identifica as suas oportunidades de negócio tem muito pouca importância [N.B.: ele escreveu mesmo assim, “of very little importance”; notar que este parágrafo vem na sequência do anterior e, portanto, o que o Peter L. Brandt nos está a dizer é que aquilo que é realmente importante é a gestão do dinheiro].» 
p. 22

Em suma: 

«(…) A chave para o trading de sucesso consiste em aprender a lidar com as perdas, não em estar sempre certo. É preciso entender que os lucros acabam por aparecer quando se gere as perdas de forma adequada. (…) O teu ego e o teu orgulho não podem, de forma alguma, estar associados às tuas perdas.» 
 pp. 26-28