sábado, 1 de novembro de 2025

Revisitando a Teoria de Wyckoff (2)


     Continuação da posta da semana anterior. Volto a sublinhar que isto é apenas uma revisão dos conceitos. Não estou a fazer esta série por acreditar que vem aí uma descida continuada das cotações. Ainda não há nada que aponte nesse sentido.




domingo, 26 de outubro de 2025

Revisitando a Teoria de Wyckoff


        Nos últimos anos, eu não tenho actualizado este blogue por uma razão muito simples: tenho estado a fazer o que o Jesse Livermore (1877-1940) nos recomendou que fizéssemos quando as nossas posições em bolsa estão a valorizar, que é ficarmos quietinhos e sossegados. No entanto, as subidas recentes dos mercados bolsistas americanos começam a preocupar-me (o que não significa que elas estejam prestes a acabar), pelo que decidi rever os sinais de alerta para a distribuição em grande escala, i.e. a distribuição levada a cabo pelos grandes investidores institucionais que anuncia o início dos bear markets.
 
Para começar, decidi regressar a um dos pioneiros da Análise Técnica, o Richard Wyckoff (1873-1834), e à sua teoria de como os movimentos dos mercados são impulsionados pelos desequilíbrios cíclicos entre a oferta e a procura. 




domingo, 29 de maio de 2022

Mercados americanos: sete semanas vermelhas depois...


      E ao fim de sete semanas negativas, tivemos finalmente uma semana positiva! O que quer isso dizer em termos da evolução dos índices nas próximas semanas? Nada, ou quase nada. Apesar do optimismo estar de volta entre muitas pessoas que deviam saber melhor, a realidade é que uma semana positiva ao fim de sete semanas negativas é algo perfeitamente normal e até expectável num contexto de desvalorização da bolsa. E nem sequer precisamos de recuar muito tempo para encontrar provas disso, basta recuarmos até à segunda semana de Março deste ano de 2022:

 


Reparem como a vela japonesa desta semana de 23-27 de Maio (+6,58 %) é muito semelhante à da vela da semana de 14-18 de Março (+6,16 %), e nem por isso as quedas ficaram por aí. E a verdade é que agora estamos muito pior do que em Março, por várias razões:

1. Em Março, o índice tinha rejeitado claramente a linha do pescoço do "cabeça e ombros" potencial que temos vigiado nas últimas semanas (≈ 4200 pts); mas, agora em Maio, o $SPX fechou claramente abaixo dessa linha do pescoço; chamo a atenção para isto porque, no passado dia 11, partilhei aqui esta imagem, com quatro possíveis evoluções do índice,

 

 

Ora, eu não o disse na altura, mas de todos estes quatro possíveis desfechos, o desfecho (d) é precisamente o menos desejável, porque corresponderia à validação do "cabeça e ombros", ou seja, ao muito provável início de quedas ainda mais rápidas e acentuadas.

Agora olhem novamente para o primeiro gráfico e tirem as vossas conclusões. Não, ainda não temos (d), mas estamos bem caminhados para o virmos a ter nas próximas semanas. Isto não é uma previsão! É simplesmente uma forte possibilidade neste momento.
2. Em Março, a média móvel a 200 dias (ou a 40 semanas, no gráfico acima), ainda estava ascendente; isto, só por si, não é muito significativo, mas a juntar ao padrão mencionado no ponto anterior, torna-se possível que a ma(40) venha a constituir-se como barreira/resistência à subida do índice.

3. Desde o início das quedas (Janeiro), o RSI ainda nunca entrou em território de 'sobrevendido' (<30), o que poderá indicar que as quedas estão para durar.

4. Em Março, ainda havia alguma esperança de que a inflação abrandasse em Abril; mas depois verificou-se que a inflação continuou a aumentar, e é muito provável que tenha continuado a aumentar em Maio (valor ainda por divulgar).

 

Posto isto, não é impossível que o $SPX continue a subir no futuro próximo. Mas eu continuo pessimista quanto ao longo prazo, e a aguardar pacientemente que o "cabeça e ombros" seja confirmado ou rejeitado, de preferência a segunda, mas provavelmente a primeira.

domingo, 22 de maio de 2022

Mercados americanos: o Inferno é o limite?


     E já vamos em sete, sete semanas de quedas consecutivas nos mercados norte-americanos! E o pior de tudo é que não há nada que nos indique que a situação poderá vir a alterar-se nos próximos tempos. Pelo contrário, é mais provável virmos a ter mais quedas do que mais subidas! 😖

S&P 500 ($SPX), gráfico diário:


Aquela linha tracejada mais abaixo (a cor vermelha) corresponde a uma queda de 20% desde os máximos históricos de Janeiro. Ou seja, a linha tracejada mais abaixo corresponde à fronteira oficial do Bear Market. Não, não se trata de uma demarcação arbitrária, 20% pode parecer um número redondo, mas a História dos mercados bolsistas norte-americanos dizem-nos que é a partir desse número, mais porcento, menos porcento, que os índices tendem a espatifar-se ao comprido e as quedas tendem a prolongar-se durante muitas semanas ou até meses.

A boa notícia é que, para já, o índice tocou nessa zona entre os 3825 e os 3850 pontos, mas depois voltou a subir rapidamente. A má notícia é que esta rejeição inicial é apenas isso, inicial. Porque no gráfico semanal a situação está muito feia:

 


É bem notória a quebra da zona de suporte a cor amarela que eu tinha assinalado nas últimas semanas. O $SPX desceu até aos 3800 pontos (em rigor, 3810,32, que para efeitos práticos vai dar ao mesmo), o que, face à rejeição desse nível, me obrigou a traçar uma linha de suporte nessa casa. O "cabeça e ombros" que assinalei no gráfico ainda não está confirmado, mas isso poderá mudar já na próxima semana.

Há quem faça agora analogias deste género:

 

 

Mas eu acho sinceramente que ainda é demasiado cedo para tanto, embora não deixe de ser possível. E há um aspecto nos dois gráficos anteriores que é preciso ter bem presente: a rapidez com que as quedas se sucedem a partir dos tais 20%. Olhos bem abertos nas próximas semanas!

Esta semana a diferença entre os novos máximos e os novos mínimos (total mercados EUA a cada 5 dias), recuperou (-2989) face à semana anterior (-12074): 



Mas isso, é claro, pode ser sol de pouca dura, como se costuma dizer. É que as taxas de juro das obrigações do tesouro americano voltaram a subir esta semana:

 


E a procura por obrigações (TLT, gráfico semanal) poderá estar finalmente a começar:

 


O gráfico mensal (provisório) é ainda mais assustador, com um potencial "martelo" a formar-se neste mês de Maio:



Porém, é claro, é preciso esperar para ver o que acontece até ao fim do mês.

Agora vamos olhar para o rácio P/E médio das acções que integram o S&P 500: 


 

O exercício aqui não vale tanto como os anteriores, uma vez que o rácio P/E não segue as subidas do $SPX tão bem como outros indicadores. Ainda assim, vale a pena observar que o fundo das correcções anteriores só aconteceu quando o rácio desceu a valores muito mais baixos do que o actual (19,72). Por exemplo, durante a Covid-19, o rácio P/E desceu até aos 16,04. E em 2011, durante a crise das dívidas soberanas europeias, o rácio P/E desceu até aos 12,64.

Entre 2010 e 2022 a média durante correcções do $SPX foi entre 17,50 e 17,60. Isto significa que o $SPX ainda pode continuar a cair durante muito tempo, até que o rácio P/E atinja esses valores, ou até mais baixos.

Resumindo e concluindo, a sangria parece estar para durar... termino com o triste desempenho dos maiores índices desde o início do ano (YTD):

 


Olhar para os gráficos é a parte mais fácil. Agir consoante a informação dos gráficos é que é a parte mais difícil...

domingo, 15 de maio de 2022

Mercados americanos: «uma andorinha não faz a Primavera»


      Na última sexta-feira, 13 de Maio de 2002, tivemos um rally (subida forte) interessante. Muita gente ficou contente. Mas, como eu relembro no título desta posta, «uma andorinha não faz a Primavera». É que basta olhar para o gráfico diário dos índices para verificarmos rapidamente que, desde os máximos históricos de Janeiro, já houve vários dias em que as subidas de cotação foram tão ou mais fortes e, no entanto, as tendência de queda manteve-se:

 


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Do ponto de vista estritamente técnico, há algumas razões para optimismo. Por exemplo,  houve uma rejeição dos valores abaixo da zona de suporte no gráfico semanal do $SPX:


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E, no gráfico mensal, a tendência primária de subida a longo prazo continua válida:

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Mas vale a pena recuar até à crise financeira de 2008 e adicionar o RSI e o MACD para se ter uma melhor noção da gravidade da situação actual:

 

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Repare-se: tanto o RSI como o MACD têm muito espaço para continuar a cair nos próximos meses. Notem bem, MESES, não semanas, muito menos dias. 

A diferença entre os novos máximos e os novos mínimos (total mercados EUA a cada 5 dias), desde Abril de 2002 também parece indicar margem para mais quedas (note-se o quão fundo o gráfico desceu durante a crise de 2008 e durante a pandemia da Covid-19):

 

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Como é evidente, não terá necessariamente de ser assim (mais quedas), mas estes dois últimos gráficos dizem-nos que há uma grande probabilidade de ser assim. Até porque as taxas de juro das obrigações do tesouro dos EUA ainda continuam a subir: 

 

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Uma vez que, no gráfico semanal dos $SPX; as últimas seis semanas foram de queda, é possível que tenhamos algumas subidas na(s) próxima(s) semanas. Mas, para já, a tendência de correcção a médio prazo (vários meses) continua negativa.

O que é certo é que os dois maiores índices dos EUA já devolveram a maior parte dos ganhos pós-Covid e nada nos indica que a sangria terminou:

 

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Aqui fica também o gráfico semanal do $NDX (Nasdaq 100). A situação é muito semelhante à do $SPX, pelo que não vou tecer mais comentários sobre o gráfico.



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Conforme tenho dito nas últimas semanas, enquanto os índices se mantiverem dentro das zonas de suporte a cor amarela, o melhor é ficarmos quietinhos. Mas se a zonas de suporte forem quebradas de forma convincente (quebra + rejeição posterior da zona de suporte), então teremos de tomar medidas defensivas.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Os perigos das criptomoedas num gráfico brutalmente esclarecedor

 
      Uma vez que a situação nos mercados norte-americanos está praticamente na mesma desde a posta que fiz ontem (atenção que as sextas-feiras costumam ser dias de grande volatilidade, por isso, mantenham os olhos bem abertos amanhã!), vou aproveitar para deixar aqui um gráfico absolutamente brutal.

Trata-se de evolução da cotação da criptomoeda Luna ao longo das últimas semanas.
 
 

 
Vou resumir o gráfico da seguinte forma: quem tiver comprado 10 mil dólares de Luna na semana passada, terá hoje 2 dólares. Uma queda apocalíptica de 99,98%! Valerá mesmo a pena continuar a arriscar a aventura das criptos?... 

Eu acho sinceramente que não. Um dos grandes argumentos dos seus criadores é que as criptos iriam servir de refúgio contra a inflação e as quedas dos mercados. O que temos visto é precisamente o contrário. Até agora, sempre que os mercados caíram, as critpos cairam ainda mais.
 
Tudo aquilo que se baseia apenas em crença e em wishful thinking tende a acabar desta forma, mesmo quando a crença é propagada por pessoas com diplomas universitários. Já o grande Johnny Cash cantava "you can run on for a long time, but sooner or later God'll cut you down". Na bolsa, a longo prazo, só aquilo que é real ou tem uma base de sustentação real resiste. Tudo o resto vem abaixo, mesmo que demore algum tempo.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Ponto da situação: a inflação não desarma, e as zonas de suporte no S&P 500 e no Nasdaq 100 foram quebradas 😱


    Segundo o relatório oficial divulgado hoje nos EUA, a inflação continuou a crescer durante o passado mês de Abril, não obstante esse crescimento ter registado um abrandamento face ao mês de Março. O índice de preços no consumidor (Consumer Price Index - CPI) em Abril registou um aumento de 8,3% face ao ano passado (i.e. face a Abril de 2021). Em Março, o número correspondente tinha sido 8,5%.
 
 

 
No gráfico de barras abaixo, é possível verificar que os combustíveis fósseis continuam a ser o principal motor do aumento da inflação, o que é péssimo, por duas razões: (1) a guerra na Ucrânia vai continuar a contribuir para manter os preços elevados; (2) a política de transição energética da Administração Bidé tenderá a agravar o custo das energias convencionais.




Bem sei que eu próprio comecei por desvalorizar o papel desta inflação aqui no blogue, mas o que é demais é demais e chegámos agora a um ponto em que é mesmo preciso levá-la a sério. Para aqueles que não estejam devidamente familiarizados com o porquê de a inflação ser um problema, vou citar novamente o grande Braga de Matos:

«O aumento da inflação provoca acréscimo das taxas de juro, dificuldade me planear e incertezas nos mercados, o que prejudica as empresas, os seus lucros e, no final, as acções.

(...) 

Passando à verificação comprovativa, Eugene e Fama e outros investigadores, autonomamente, encontraram uma correlação negativa entre as cotações das acções em geral e a inflação, para o período de 1925 a 1980, no mercado americano. (...) No mercado Inglês, a mesma correlação negativa foi encontrada para equivalente período de tempo.»

- in "Ganhar em Bolsa", Fernando Braga de Matos, 8ª Ed., pp. 217-219


Ou seja, pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, os fundamentais estão claramente maus. E as más notícias não acabam aqui... é que os técnicos ainda estão piores! Hoje, as zonas de suporte que tínhamos identificado no passado dia 27 foram quebradas:

 


Agora podem acontecer várias coisas mas, nos próximos dias, as mais prováveis são as seguintes:

 
Qualquer uma destas possibilidades está em cima da mesa. Eu, pessoalmente inclino-me mais para as duas primeiras. Em ambos os casos, (a) e (b), o índice deverá descer rapidamente até à zona de suporte na casa dos 3600 pts. É provável que se detenha temporariamente nessa zona, ficando depois a lateralizar, no melhor cenário, ou retomando as quedas até aos 3200 pts, no pior cenário.

No Nasdaq, a situação é apenas um pouco melhor. O suporte ainda não foi quebrado de uma forma convincente, mas as quedas na maior parte do sector tecnológico têm sido monumentais, pelo que não é expectável que o índice aguente muito mais tempo.
 


 
Face a tudo isto, eu já decidi: a partir de amanhã, se (a) ou (b) acontecerem, sendo que (b) é preferível a (a), começo a fechar posições longas e a abrir posições curtas. Não gosto de o fazer, mas os fundamentais não estão para brincadeiras, pelo que me parece prudente fechar algumas posições. Enquanto os fundamentais estavam bons, valia a pena arriscar. Essa estratégia foi muito proveitosa entre 2013 e a presente data. Mas a história diz-nos que agora as quedas se poderão prolongar durante muito tempo, pelo que o risco já não compensa.
 
Faço notar que isto não é um conselho aos leitores deste blogue. Eu estou apenas a dizer o que eu vou fazer, não o que vocês devem fazer. Cada um deve analisar os dados por si e adoptar a estratégia de actuação que melhor se adequar ao seu perfil de investidor.