Afonso de Portugal: As Crónicas da Bolsa
Atenção: o conteúdo deste blogue é uma mera colectânea de observações pessoais acerca dos mercados financeiros. O seu autor, Afonso de Portugal, não é um profissional da bolsa e as análises que faz sobre os mercados não devem ser encaradas como sugestões de investimento. O autor demite-se de toda e qualquer responsabilidade por eventuais perdas decorrentes da adopção estratégias de investimento e/ou de especulação com base nos comentários publicados neste blogue.
sábado, 1 de novembro de 2025
Revisitando a Teoria de Wyckoff (2)
domingo, 26 de outubro de 2025
Revisitando a Teoria de Wyckoff
domingo, 29 de maio de 2022
Mercados americanos: sete semanas vermelhas depois...
Reparem como a vela japonesa desta semana de 23-27 de Maio (+6,58 %) é muito semelhante à da vela da semana de 14-18 de Março (+6,16 %), e nem por isso as quedas ficaram por aí. E a verdade é que agora estamos muito pior do que em Março, por várias razões:
1. Em Março, o índice tinha rejeitado claramente a linha do pescoço do "cabeça e ombros" potencial que temos vigiado nas últimas semanas (≈ 4200 pts); mas, agora em Maio, o $SPX fechou claramente abaixo dessa linha do pescoço; chamo a atenção para isto porque, no passado dia 11, partilhei aqui esta imagem, com quatro possíveis evoluções do índice,
Ora, eu não o disse na altura, mas de todos estes quatro possíveis desfechos, o desfecho (d) é precisamente o menos desejável, porque corresponderia à validação do "cabeça e ombros", ou seja, ao muito provável início de quedas ainda mais rápidas e acentuadas.Agora olhem novamente para o primeiro gráfico e tirem as vossas conclusões. Não, ainda não temos (d), mas estamos bem caminhados para o virmos a ter nas próximas semanas. Isto não é uma previsão! É simplesmente uma forte possibilidade neste momento.
2. Em Março, a média móvel a 200 dias (ou a 40 semanas, no gráfico acima), ainda estava ascendente; isto, só por si, não é muito significativo, mas a juntar ao padrão mencionado no ponto anterior, torna-se possível que a ma(40) venha a constituir-se como barreira/resistência à subida do índice.
3. Desde o início das quedas (Janeiro), o RSI ainda nunca entrou em território de 'sobrevendido' (<30), o que poderá indicar que as quedas estão para durar.
4. Em Março, ainda havia alguma esperança de que a inflação abrandasse em Abril; mas depois verificou-se que a inflação continuou a aumentar, e é muito provável que tenha continuado a aumentar em Maio (valor ainda por divulgar).
Posto isto, não é impossível que o $SPX continue a subir no futuro próximo. Mas eu continuo pessimista quanto ao longo prazo, e a aguardar pacientemente que o "cabeça e ombros" seja confirmado ou rejeitado, de preferência a segunda, mas provavelmente a primeira.
domingo, 22 de maio de 2022
Mercados americanos: o Inferno é o limite?
Aquela linha tracejada mais abaixo (a cor vermelha) corresponde a uma queda de 20% desde os máximos históricos de Janeiro. Ou seja, a linha tracejada mais abaixo corresponde à fronteira oficial do Bear Market. Não, não se trata de uma demarcação arbitrária, 20% pode parecer um número redondo, mas a História dos mercados bolsistas norte-americanos dizem-nos que é a partir desse número, mais porcento, menos porcento, que os índices tendem a espatifar-se ao comprido e as quedas tendem a prolongar-se durante muitas semanas ou até meses.
A boa notícia é que, para já, o índice tocou nessa zona entre os 3825 e os 3850 pontos, mas depois voltou a subir rapidamente. A má notícia é que esta rejeição inicial é apenas isso, inicial. Porque no gráfico semanal a situação está muito feia:
É bem notória a quebra da zona de suporte a cor amarela que eu tinha assinalado nas últimas semanas. O $SPX desceu até aos 3800 pontos (em rigor, 3810,32, que para efeitos práticos vai dar ao mesmo), o que, face à rejeição desse nível, me obrigou a traçar uma linha de suporte nessa casa. O "cabeça e ombros" que assinalei no gráfico ainda não está confirmado, mas isso poderá mudar já na próxima semana.
Há quem faça agora analogias deste género:
Mas eu acho sinceramente que ainda é demasiado cedo para tanto, embora não deixe de ser possível. E há um aspecto nos dois gráficos anteriores que é preciso ter bem presente: a rapidez com que as quedas se sucedem a partir dos tais 20%. Olhos bem abertos nas próximas semanas!
Esta semana a diferença entre os novos máximos e os novos mínimos (total mercados EUA a cada 5 dias), recuperou (-2989) face à semana anterior (-12074):
Mas isso, é claro, pode ser sol de pouca dura, como se costuma dizer. É que as taxas de juro das obrigações do tesouro americano voltaram a subir esta semana:
E a procura por obrigações (TLT, gráfico semanal) poderá estar finalmente a começar:
O gráfico mensal (provisório) é ainda mais assustador, com um potencial "martelo" a formar-se neste mês de Maio:
Porém, é claro, é preciso esperar para ver o que acontece até ao fim do mês.
Agora vamos olhar para o rácio P/E médio das acções que integram o S&P 500:
O exercício aqui não vale tanto como os anteriores, uma vez que o rácio P/E não segue as subidas do $SPX tão bem como outros indicadores. Ainda assim, vale a pena observar que o fundo das correcções anteriores só aconteceu quando o rácio desceu a valores muito mais baixos do que o actual (19,72). Por exemplo, durante a Covid-19, o rácio P/E desceu até aos 16,04. E em 2011, durante a crise das dívidas soberanas europeias, o rácio P/E desceu até aos 12,64.
Entre 2010 e 2022 a média durante correcções do $SPX foi entre 17,50 e 17,60. Isto significa que o $SPX ainda pode continuar a cair durante muito tempo, até que o rácio P/E atinja esses valores, ou até mais baixos.
Resumindo e concluindo, a sangria parece estar para durar... termino com o triste desempenho dos maiores índices desde o início do ano (YTD):
Olhar para os gráficos é a parte mais fácil. Agir consoante a informação dos gráficos é que é a parte mais difícil...
domingo, 15 de maio de 2022
Mercados americanos: «uma andorinha não faz a Primavera»
Do ponto de vista estritamente técnico, há algumas razões para optimismo. Por exemplo, houve uma rejeição dos valores abaixo da zona de suporte no gráfico semanal do $SPX:
E, no gráfico mensal, a tendência primária de subida a longo prazo continua válida:
Mas vale a pena recuar até à crise financeira de 2008 e adicionar o RSI e o MACD para se ter uma melhor noção da gravidade da situação actual:
Repare-se: tanto o RSI como o MACD têm muito espaço para continuar a cair nos próximos meses. Notem bem, MESES, não semanas, muito menos dias.
A diferença entre os novos máximos e os novos mínimos (total mercados EUA a cada 5 dias), desde Abril de 2002 também parece indicar margem para mais quedas (note-se o quão fundo o gráfico desceu durante a crise de 2008 e durante a pandemia da Covid-19):
Como é evidente, não terá necessariamente de ser assim (mais quedas), mas estes dois últimos gráficos dizem-nos que há uma grande probabilidade de ser assim. Até porque as taxas de juro das obrigações do tesouro dos EUA ainda continuam a subir:
Uma vez que, no gráfico semanal dos $SPX; as últimas seis semanas foram de queda, é possível que tenhamos algumas subidas na(s) próxima(s) semanas. Mas, para já, a tendência de correcção a médio prazo (vários meses) continua negativa.
O que é certo é que os dois maiores índices dos EUA já devolveram a maior parte dos ganhos pós-Covid e nada nos indica que a sangria terminou:
Aqui fica também o gráfico semanal do $NDX (Nasdaq 100). A situação é muito semelhante à do $SPX, pelo que não vou tecer mais comentários sobre o gráfico.
Conforme tenho dito nas últimas semanas, enquanto os índices se mantiverem dentro das zonas de suporte a cor amarela, o melhor é ficarmos quietinhos. Mas se a zonas de suporte forem quebradas de forma convincente (quebra + rejeição posterior da zona de suporte), então teremos de tomar medidas defensivas.
sexta-feira, 13 de maio de 2022
Os perigos das criptomoedas num gráfico brutalmente esclarecedor
quarta-feira, 11 de maio de 2022
Ponto da situação: a inflação não desarma, e as zonas de suporte no S&P 500 e no Nasdaq 100 foram quebradas 😱
«O aumento da inflação provoca acréscimo das taxas de juro, dificuldade me planear e incertezas nos mercados, o que prejudica as empresas, os seus lucros e, no final, as acções.
(...)
Passando à verificação comprovativa, Eugene e Fama e outros investigadores, autonomamente, encontraram uma correlação negativa entre as cotações das acções em geral e a inflação, para o período de 1925 a 1980, no mercado americano. (...) No mercado Inglês, a mesma correlação negativa foi encontrada para equivalente período de tempo.»
- in "Ganhar em Bolsa", Fernando Braga de Matos, 8ª Ed., pp. 217-219
Ou seja, pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, os fundamentais estão claramente maus. E as más notícias não acabam aqui... é que os técnicos ainda estão piores! Hoje, as zonas de suporte que tínhamos identificado no passado dia 27 foram quebradas:
Agora podem acontecer várias coisas mas, nos próximos dias, as mais prováveis são as seguintes:
























