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sábado, 11 de novembro de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (14)


    Há divergências de curto e de médio prazo nos gráficos diários e mensais dos principais índices bolsistas norte-americanos, que sugerem a possibilidade de queda das cotações num futuro próximo. Mas -e atenção que este é mesmo um grande MAS-, a longo prazo continua tudo na mesma: bullish.

A análise que podemos ver no vídeo mais abaixo centra-se no S&P 500. A sua mensagem principal é exactamente aquela que eu indiquei na última frase do parágrafo anterior: cuidado com os nervos de aprendiz e com a tentação de apostar em quedas  continuadas dos mercados... porque os factos de que dispomos não apontam nesse sentido!


Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m41s O Sr. Ciovacco começa o vídeo com um conjunto de quatro artigos sensacionalistas dos mé(r)dia financeiros. Nesta altura do campeonato, quem ler este blogue regularmente já deve estar farto de saber que os mé(r)dia financeiros são como o resto dos mé(r)dia, completamente inúteis, ou quase. E o Senhor Ciovacco explica porquê:
    • Todos os títulos dos quatro artigos aludem a desenvolvimentos bearish: "bolha dos mercados", "crise da dívida", "incompetência ou corrupção da reserva federal", etc.
    • Todos os quatro artigos têm mais comentários do que a média;
    • Mas, mais importante, todos os quatro artigos têm pouco a ver com a realidade.
  • 02m24s Olha para um gráfico anual do S&P 500, entre 1954 e 1973 (19 anos), durante o qual o S&P 500 ganhou 376%. O Sr. Ciovacco sobrepôs a média móvel simples a 9 anos e a média móvel simples a 8 anos sobre esse gráfico. Observa-se que o preço esteve sempre em cima das duas médias móveis indicadas durante os 19 anos, e a mms(8) -mais rápida- esteve sempre em cima da mms(9) -mais lenta.
  • 03m43s Acrescentando mais oito anos ao gráfico anterior, i.e. até 1981, observa-se que o S&P 500 praticamente não avançou depois de 1973. As duas médias móveis referidas anteriormente permaneceram praticamente horizontais, denotando um período de consolidação (ou lateralização).
  • 04m20s Depois desse período de consolidação, a partir de 1981, o S&P 500 voltou a subir durante 18 anos, até 1999... o ganho correspondente foi de 1098%! Mais uma vez, a mms(8) esteve sempre em cima da mms(9) durante a subida.
  • 04m52s Agora vem a parte mesmo gira... se incluirmos os anos em falta até ao dia de hoje, verificamos que a mms(8) está em cima da mms(9) pela primeira vez desde a "bolha das dot com".
  • 06m43s Voltando novamente ao gráfico inicial, entre 1954 e 1973 (19 anos), o Sr. Ciovacco refaz a análise anterior mas utilizando agora indicadores técnicos em vez das médias móveis. Os indicadores escolhidos pelo Sr. Ciovacco foram a Largura das Bandas de Bollinger (BBW), o Índice de Canal de Mercadoria (CCI) e o Índice de Força Real (TSI).
  • 08m38s Acrescentando o período até à "bolha das dot com", é possível observar como todos os indicadores anteriores estão ao contrário, i.e. indicando a queda das cotações. Repara no sentido das setas (amarelas) e compará-las com as anteriores (verdes).
  • 10m03 Avançando novamente até Novembro de 2017, verificamos que o momento actual nos mercados é muito mais parecido com o das setas verdes (1981) do que o das setas brancas (2000). Todos os indicadores mencionados estão claramente bullish, tal como estavam no início da década de 80.
  • 14m09 E, para os que ainda estiverem cépticos, o Sr. Ciovacco repete a análise anterior para mais três indicadores técnicos: o Índice Direccional Médio (ADX), o Índice de Força Relativa (RSI) e o Oscilador de Percentagem de Preço (PPO). As conclusões são exactamente as mesmas dos casos anteriores: todos os indicadores apontam para a continuação das subidas a longo prazo.
  • 17m18 E para aqueles que, mesmo depois de tudo o que foi mostrado até aqui, continuarem sem acreditar, o Sr. Ciovacco refaz a análise com mais três indicadores técnicos: a Curva de Coppock (COP), a Percentagem de Williams ou Williams %R (WM%) e a Taxa de Variação (ROC). As conclusões voltam a ser as mesmas dos casos anteriores: estes três indicadores apontam para a continuação das subidas a longo prazo.
  • 19m39 E eis-nos chegados à parte mais interessante deste vídeo. O Sr. Ciovacco aponta para um dado muito interessante ao olharmos para o ROC anual do S&P 500... é apenas a segunda vez, desde 1954, que o ROC anual está a subir depois de quase ter tocado no zero! Notem bem, nos últimos 63 anos, o ROC anual apenas se aproximou do zero duas vezes, uma nos 70 -que foram seguidos por grandes subidas multianuais- e outra no período entre 2011 e 2013!
  • 20m19 Voltando ao gráfico inicial do $SPX com a mms(8) e a mms(9), e removendo agora a acção de preços (i.e. ficando apenas com as médias móveis anuais), o Sr. Ciovacco enfatiza mais uma vez que, durante os períodos de consolidação, as mms tendem a sobrepor-se. Já nos períodos de subida, a mms(8) fica em cima da mms(9). É precisamente este segundo caso que se observa no gráfico do $SPX no presente ano de 2017.
  • 22m23 Acrescentando mais dados ao gráfico para incluir duas décadas antes de 1954, i.e. traçando o gráfico do $SPX entre 1934 e 2017, observa-se um outro período de consolidação multianual entre 1934 e 1946, seguido por um extenso período de ganhos, até 1972.
  • 23m01 Agora os números: entre 1949 e 1972, o $SPX ganhou 582% em 23 anos; entre 1981 e 1999, o $SPX ganhou 1098% em 18 anos! Mas é preciso ter bem presente tudo isto aconteceu a longo prazo!!!
  • 24m37 As várias médias móveis de médio e longo prazo do $SPX mostram, no presente momento, uma tendência ascendente saudável. O Sr. Ciovacco compara o gráfico de Novembro de 2017 com a situação em 1996 e em 2012... a situação é muito semelhante em todos os três casos.
  • 29m00 Em 2017, já houve 88 dias em que o $SPX terminou com perdas. Porém 100% desses dias foram seguidos por novos máximos. Moral da história? A paciência é, de longe, a maior virtude que um investidor pode ter. Ou, como disse o maior especulador da história:
"Ninguém consegue apanhar todas as flutuações [do mercado]".
-Jesse Livermore
  • 32m02 O Sr.. Ciovacco termina este grande vídeo com um conceito fascinante: the nimble barge, que é como quem diz, "a barcaça ágil", numa alusão ao que sucedeu com o $SPX entre o segundo semestre de 2015 e o Brexit, em Junho de 2016: a barcaça parecia seguir num determinado sentido (bearish) mas, no espaço de seis meses, entre o Brexit e a eleição do Presidente Trump, a barcaça inverteu o seu sentido e ficou claramente bullish durante um período que já vai em quase 21 meses! E essa nem é a melhor parte... a melhor parte é que a nimble barge -que é um evento raro- foi exactamente o que aconteceu em 1981! 😉

domingo, 30 de outubro de 2016

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (2)


   «Será que o mercado se está a preparar para um mergulho a seguir as eleições?» é o título do vídeo que o Sr. Ciovacco nos oferece esta semana. A meu ver, demasiado sensacionalista, mas a possibilidade é real, sobretudo no caso de um vitória do Donald Trump. A concretizar-se, será uma espécie de "efeito Brexit" nos EUA, que eu duvido que dure mais do que algumas semanas, se tanto. Tal com as quedas da bolsa inglesa a seguir ao Brexit, uma vitória do Sr. Trump dificilmente arrastará os mercados para baixo durante muito tempo.



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 00m47s O Sr. Ciovacco começa o vídeo de uma forma muito pouco habitual, olhando para um fundo mútuo, não para uma acção ou para um fundo transaccionável (ETF). Ainda por cima, o fundo mútuo em causa é o RYAIX (Rydex Inverse Nasdaq-100), um fundo inverso, que replica o Nasdaq 100 no sentido contrário ao do índice, i.e. se o Nasdaq 100 sobe, o RYAIX desce e vice-versa. Começando para olhar para o período entre 1999 e 2001 ("bolha das dot com"), o Sr. Ciovacco mostra-nos como a média móvel simples a 200 dias do RYAIX inverteu para cima em Novembro de 2000, anunciando um período em que apostar na queda do Nasdaq 100 se revelou proveitosa: o compóisto do Nasdaq ($COMPQ) caiu 62% desde essa inversão da MMS(200).
  • 02m13s O exercício é depois repetido para o período entre 2002 e 2003. Neste caso, a situação é ao revés: a MMS(200) do RYAIX inverteu para baixo em Março de 2003, com o compósito do Nasdaq a subir a partir de então.
  • 02m58s Já em 2007-2009, verficou-se novamente uma inversão para cima da MMS(200) do RYAIX, desta feita em Janeiro de 2008. A partir daí, o $COMPQ caiu mais 45%, com o S&P 500 a acompanhar e a cair 49%!
  • 03m39s Quando os índices bolsistas atingiram o ponto mais baixo a seguir à crise financeira de 2007-2008, a MMS(200) do RYAIX inverteu para baixo, em Julho de 2009, marcando o arranque do presente Bull Market.
  • 04m51s Olhando agora para um gráfico recente do RYAIX (27-Out-2016), verifica-se que o declive da MMS(200) está claramente negativo, tendo inclusivametne ocorrido um acentuar dessa negatividade nas últimas semanas. Ou seja, só um maluquinho é que apostaria na subida do RYAIX (ou na queda do Nasdaq) com a MMS(200) do RYAIX neste estado.
  • 06m12s Olhando agora para um gráfico mensal do S&P 500 ($SPX), o Sr. Ciovacco recupera o grande rectângulo multimensal que vigorou entre meados de 2014 e meados de 2016, para nos mostrar que o lado superior do rectângulo, outrora resistência (2100-2130 pts), ainda poderá funcionar como suporte, caso as quedas do $SPX continuem.
  • 06m51s O mesmo se verifica no caso do gráfico mensal do compósito do Nasdaq ($COMPQ) e no Dow Jones Industrial Average ($INDU), embora, no segundo caso, o índice esteja muito próximo da anterior zona de resistência.
  • 07m13s O sector financeiro europeu ($E1FIN) ainda não recuperou das quedas que se seguiram ao Brexit (ao contrário da bolsa londrina, que fez um máximo histórico no último dia 11, não é curioso?).  Ainda assim, o $E1FIN fechou bem acima do primeiro nível (61,8%) da retracção de Fobinacci correspondente ao Brexit.
  • 07m51s O compósito da NYSE ($NYA) também ainda não recuperou das quedas, não desde o Brexit, mas desde Maio de 2015. Traçando uma retracção de Fibonacci desde o início até ao fim das quedas (pontos A e B no gráfico), é possível verificar que o $NYA fechou mesmo em cima dos 61,8%. De referir que o $NYA ainda também abaixo do seu máximo histórico pré-crise financeira, registado em 2007.
  • 08m44s Comparando o desempenho dass acções com o das obrigações do tesouro americano ($NYA:TLT), parece ter sido quebrada, no gráfico semanal do rácio, uma linha de tendência descendente (LTD) que remontava a meados de 2015.
  • 09m02s No seu gráfico diário, o S&P 500 ($SPX) está mesmo em cima do limite superior de um canal de transacção multianual (nos tais 2125 pts que tenho vindo a mencionar há já dois meses). Há também outras zonas de potencial suporte até aos 2100 pontos.
  • 09m41s Olhando agora para o gráfico mensal do $SPX, o Sr. Ciovacco faz um exercício muito interessnte com o indicador Bollinger Band With (Largura das Bandas de Bollinger - BB). Conforme o próprio nome indica, este indicador traduz a diferença percentual entre a BB superior e a BB inferior, dando uma ideia da volatilidade actual de um título ou índice bolsista. Historicamente, os períodos em que a Largura das Bandas de Bollinger do S&P 500 estava muito baixa foram seguidos por subidas do índic que duraram vários meses, nalguns casos até anos: 1985, 1995 e 2005. Ora, a Largura das Bandas de Bollinger do S&P 500 está novamente em níveis muito baixos em 2016. O Sr. Ciovacco acredita por isso que as probabilidades favorecem a continuação das subidas no $SPX, ressalvando, no entanto, que na bolsa nunca há certezas.
  • 11m23s No gráfico semanal do $SPX pode ver-se que o índice fechou ligeiramente abaixo da aresta superior do rectângulo de consolidação multianual que vigorou nos últimos 2 anos, mas ainda acima do canal de transacção identificado no gráfico diário (09m02s) e também acima de todos os níveis de retracção de Fibonacci traçados desde o Brexit até ao máximo histórico de Agosto deste ano. Outrossim, as médias móveis simples de longo prazo (30, 40 e 50 semanas) mantêm um declive ascendente.
  • 15m18s O Dow Jones Transportation Average (DJTA), parece ter sido penetrada uma resistência diagonal multimensal que remotava ao início de Agosto de 2015. Melhor do que isso, essa resistência passou, para já, a suporte. O mesmo sucedeu no caso do petróleo ($WTIC) e do principal índice bolsista alemão, o $DAX. Além disso, o gráfico semanal do $WTIC mostra uma divergência positiva entre a acção de preços e o RSI, sugerindo a continuação das subidas a longo prazo.
  • 17m46s No que respeita às empresas de pequena capitalização bolsista (small cap), parece estar a haver um reteste da zona de suporte algures nos $117,5. Curiosamente o índice das matérias primas ($CRB) penetrou a sua média móvel a 200 dias em Maio e tem-se mantido acima dela desde então. O Sr. Ciovacco relembra que as subidas sustentadas do $CRB reflectem a expectativa, por parte dos investidores, do aumento da inflação.