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sábado, 23 de julho de 2016

Chris Ciovacco: «O que é que podemos aprender com as tendências de subida em várias classes de activos?»


    Esta semana, o Sr. Ciovacco retoma os seus habituais exercícios de comparação da evolução recente dos mercados com o seu registo histórico.



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m32s Recorrendo a um gráfico semanal do S&P 500 ($SPX) para o período 2007-2008, o Sr. Ciovacco começa por explicar que, idealmente, uma tendência de subida deve ser acompanhada pelas médias móveis, com as médias móveis mais rápidas (i.e. aquelas com período mais curto) a ficar acima das médias móveis mais lentas (e.g. MM 50 acima da MM 200). Quando isto deixa de acontecer, as probabilidades de as valorizações bolsistas caírem rapidamente aumentam consideravelmente, como ilustra o caso da crise financeira de 2008.
  • 01m34s Inversamente, quando estamos numa tendência primária de descida (Bear Market), as médias móveis mais lentas deverão ficar acima das médias móveis mais rápidas (e.g. MM 200 acima da MM 50). Nesta situação, a ultrapassagem das médias móveis pelo preço alerta para uma possível reversão bullish, como ilustra o caso do gráfico semanal do S&P 500 para o período 2009-2010 (introdução da facilitação quantitativa - quantitative easing, QE).
  • 01m57s Comparando os dois gráficos anteriores com a situação observada no $SPX a 24 de Junho do presente ano de 2016, verificava-se que as médias móveis de médio e longo prazo estão novamente a subir, mas as de mais curto prazo pareciam estar a inverter para baixo.
  • 02m50s Felizmente, o S&P 500 continuou a subir, tendo inclusivamente saído do rectângulo multianual em que se encontrava desde finais de 2014. Isto significa que as probabilidades apontam no sentido da continuação das subidas.
  • 03m17s No entanto, quando se olha para o gráfico semanal das obrigações de médio prazo (IEF), também se observa uma inquestionável tendência bullish de longo prazo.
  • 04m00s O mesmo sucede para as obrigações a longo prazo (TLT) e para os fundos de investimento no mercado imobiliário (VNQ).
  • 04m56s O ouro (GLD) também tem estado numa clara tendência de subida, com todas as médias móveis de médio e de longo prazo a apontarem para cima.
  • 05m48s O Sr. Ciovacco detém-se no gráfico semanal das obrigações de longo prazo (TLT), procurando explicar o porquê de a zona de resistência entre os $133,5 e os $134 ter sido penetrada com sucesso. A saber: (1) manutenção, por parte dos bancos centrais, das taxas de juro directoras em valores baixos; (2) potencial cenário de deflação, por efeito do excesso de crédito e desalavancagem; (3) redução das margens de lucro nos EUA, enquanto o resto do mundo continua a crescer de forma modesta; (4) Valorização excessiva das acções; (5) Níveis globais de dívida muito elevados, com repercussões nos ganhos obtidos com os investimentos; (6) efeito de contágio do Brexit.
  • 08m01s Quanto aos motivos pelos quais as acções voltaram a subir, o Sr. Ciovacco menciona: (1) o facto de que a economia norte-americana evitou a recessão; (2)  a tentativa, por parte dos bancos centrais, de inflacionar a economia como forma de desvalorizar a dívida (o dinheiro vale mais quando a inflação desde e menos quando a inflação sobe); (3) as perspectivas, para o resto de 2016, de aumento das margens de lucro das empresas cotadas em bolsa; (4) a reticência, por parte dos bancos centrais, em aumentar a incerteza associada ao Brexit, aumentando as taxas de juro.
  • 10m25s Com tanta incerteza, não é de admirar que o ouro, considerado o activo de refúgio por excelência, tenha também subido nos últimos meses. O Sr. Ciovacco aponta vários motivos para que isso tenha acontecido: (1) as "guerras de divisas", i.e. a tentativa dos governos manterem as suas moedas em níveis de valorização baixos para assim manterem as suas dívidas sob controlo; (2) a desvalorização das divisas leva ao aumento potencial da inflação no futuro, o que significa que o dinheiro tenderá a valer cada vez menos; além disso, (3) a política dos bancos centrais levou a elevados níveis de valorização não apenas nas acções mas também nas obrigações; o ouro surge assim como a derradeira alternativa; (4) há ainda a possibilidade de a FED avançar para formas de QE alternativas, como o "dinheiro de helicóptero" (ver postal anterior); (6) tudo isto, a concretizar-se, reflectir-se-á inevitável e negativamente no poder de compra dos consumidores - se o dinheiro valer menos, passará a ser possível comprar menos bens com ele.
  • 13m43s O Dow Jones Industrial Average ($INDU) também esteve confinado a um rectângulo de transacção multianual cujo limite superior penetrou recentemente. É provável que haja um reteste nas próximas sessões. Também parece haver sinais positivos no Wilshire 5000 ($WLSH) que superou recentemente uma linha de tendência descendente (LTD). No entanto, é preciso salientar que o $WLSH ainda não superou os máximos de 2015.
  • 16m00s Olhando agora para os rácios e começando pelo compósito da NYSE ($NYA), é possível observar que o quociente $NYA:TLT ainda se encontra em tendência descendente. Isso ainda poderá vir a acontecer mas, para já, a LTD multimensal permanece inviolada. O Sr. Ciovacco diz ainda que há um possível padrão de "cabeça e ombros" invertido no gráfico semanal do $NYA. A confirmar-se, teremos grandes subidas nas próximas semanas. No entanto, é preciso esperar para ver se a linha do pescoço do padrão aguenta.
  • 17m38s No compósito do Nasdaq ($COMPQ) foi penetrada finalmente a LTD que remontava aos máximos de 2015, fechando finalmente o "gap" de finais desse ano.
  • 18m30s Bem pior estão as coisas na Alemanha, com o $DAX a não ser capaz sequer de atingir a LTD que vigora desde Março de 2015. O rácio ACWI:TLT também mostra que as acções globais (ACWI) têm tido um desempenho abaixo das obrigações (TLT).
  • 19m27s Já o gráfico do índice de volatilidade do S&P 500 ($VIX) mostra a quebra de um importante suporte ou linha de tendência ascendente (LTA). Já o índice das small caps, o Russell 2000 (IWM) fechou muito perto de uma zona de resistência multimensal na casa dos $120, como referi no postal anterior.
  • 20m05s Bem pior está o sector dos transportes (IYT), que continua em clara tendência descendente. Por seu lado, o rácio GLD:SPY parece ter quebrado uma LTD que já remontava ao quatro trimestre de 2015. Apesar da lateralização recente, o RSI parece estar a favorecer o ouro. No entanto, é preciso salientar que o rácio SLV:GLD está a favorecer a prata em relação ao ouro. Isto pode explicar-se pelo facto de que a prata tem uma procura muito maior do que o ouro por parte da indústria mundial.
  • 23m20s O sector dos materiais (XLB) ainda não conseguiu superar a LTD que vigora desde o início de 2015. O Sr. Ciovacco mostra ainda que as recentes subidas no S&P 500 não foram acompanhadas pelos seguintes rácios: $SPX:GLD (ouro), $SPX:SDY (acções com alto dividendo), $SPX:TLT (obrigações), $SPX:VNQ (fundos de investimento do mercado imobilário).
  • 25m35s Também o rácio XLB:TLT (materiais/obrigações) parece estar com uma performance sub-óptima, constantemente travado por uma LTD que vigora desde meados de 2015. A situação é muito semelhante no caso do rácio XLE:TLT (energia/obrigações).
  • 26m27s Quanto às obrigações de médio prazo (SPY:IEF), ainda parece haver pelo menos duas LTDs que, para já, estão a travar a subida do rácio.

sábado, 9 de julho de 2016

Chris Ciovacco: «Estarão as acções prestes a disparar para cima?"


      Aqui fica o habitual vídeo semanal do Sr. Ciovacco. A mensagem central é a seguinte:



Alguns pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m40s O Sr. Ciovacco começa por nos alertar para o facto de que, não obstante as subidas dos índices bolsistas na sessão de sexta-feira, os activos de carácter defensivo (ouro, prata, obrigações, etc.) não registaram quedas significativas. Pelo contrário, o ouro subiu (GLD, +0,60% sexta-feira, +1,64% semana), a prata subiu (SLV, +2,73% sex., +2,56% sem.) e as obrigações do tesouro americano a 20+ anos subiram (TLT, +1,53% sex., +1,28% sem.).
  • 02m04s O Sr. Ciovacco mostra-nos este interessante gráfico onde se mostra o crescimento anualizado do crédito concedido pelas instituições financeiras dos EUA:
 
  • Pode observar-se que o crescimento do crédito tem vindo a desacelerar desde a crise financeira de 2008, tendo passado de 9%/ano no início deste século para cerca de 3,5%/ano desde 2010. O Sr. Ciovacco explica, recorrendo a um artigo da autoria de Bill Gross (Janus Capital), que as economias mais alavancadas são precisamente aquelas que mais dependem da criação de crédito para a sua estabilidade e longevidade. Quando o sistema económico (e não os bancos centrais) deixam de conseguir gerar crédito suficiente, o crescimento económico real detém-se pode mesmo reverter, i.e. tornar-se negativo.
  • 03m54s O Sr. Ciovacco argumenta que esta desaceleração no crescimento anualizado do crédito se reflecte na liderença sectorial dos mercados. Como exemplo, ele cita o rácio XLB:TLT (sector dos materiais dividido pelas obrigações), no qual se pode verificar, olhando para o gráfico semanal correspondente, um claro Bear Market, não obstante as subidas dos principais índices da sessão de sexta-feira.
  • 05m26s O sector energético (XLE) também não retomou a anterior zona de suporte-resistência multianual na casa dos $70, com as recentes subidas a ficarem até abaixo dessa marca.
  • 05m48s O Sr. Ciovacco faz um exercício bastante interessante utilizando o gráfico do quociente entre as obrigações do tesouro protegidas contra a inflação (US treasury inflation-protected securities –TIPS, TIP:NYSE) e o fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) que replica o rendimento das obrigações do tesouro americano com maturidade entre 7 e 10 anos, o IEF (IEF:NYSE). O exercício consiste em monitorizar a expectativa do aumento da inflação, através do gráfico da tendência de evolução do quociente supracitado: se o quociente subir, então os investidores estão a preferir TIP, o que significa que estão à espera que a inflação aumente. Por outro lado, se o quociente diminuir, isso significa que os investidores estão a preferir IEF, o que significa que estão à espera que a inflação se mantenha ou diminua.

    Ora, apesar o gráfico semanal do quociente TIP/IEF mostra uma clara tendência decrescente, com uma linha de tendência descendente válida e tudo, o que significa que os investidores não estão apostados numa subida da inflação nos próximos tempos. De resto, o Sr. Ciovacco alerta para o facto de que, historicamente, tanto as acções como as obrigações tendem a estagnar durante os períodos de inflação elevada, enquanto as matérias-primas tendem a subir. Moral da história? Na presente conjuntura, é preciso manter-se aberto a todas as formas e veículos de investimento, sob pena de perdermos a festa. 
  • 06m17s Comparando o gráfico diário do S&P 500 ($SPX) com o gráfico diário do quociente entre o S&P 500 as obrigações do tesouro americano ($SPX:TLT), observa-se uma divergência clara entre o índice e o quociente que já dura pelo menos desde o início de 2016.
  • 08m11s No entanto, é preciso ter presente que, durante a sessão de sexta-feira, o volume e a diferença entre avanços e recuos (breadth) dos componentes do principais índices foi significativamente maior do que noutras ocasiões (eu por acaso não concordo, mas aqui o especialista é o Sr. Ciovacco).
  • 09m22s Olhando apenas para os preços de fecho diário do compósito da NYSE ($NYA), constata-se que o preço final de sessão de sexta-feira é o mais elevado desde o Verão de 2015. No entanto, olhando para as velas japonesas completas (incluindo os máximos em cada dia), verificamos que a resistência na casa dos 10600 pontos permanece intacta.
  • 10m57s Quando se divide o $NYA pelas obrigações (TLT), obtemos um claro padrão de máximos e mínimos cada vez mais baixos, o que significa que o $NYA tem tido um desempenho pior do que as TLT.
  • 12m18s Olhando agora para o gráfico semanal do rácio entre o sector petrolífero (XOP) e o S&P 500 ($SPX), verifica-se que o quociente estagnou numa anterior zona de suporte  na casa dos 0,0175. Se a isto juntarmos o facto de que o momento (RSI) está a decrescer, então verificamos que as acções continuam perferíveis ao petróleo.
  • 12m58s As acções do sector financeiro europeu ($E1FIN) ainda não recuperaram das quedas que se seguiram ao Brexit. Com efeito, as recentes subidas foram muito modestas comparativamente aos ganhos do S&P 500 para o mesmo período.
  • 13m42s O sector da construção residencial (XHB) registou uma subida interessante na sessão de sexta-feira (+2,41% e +3,35% semana). No entanto, a história recente do fundo transaccionável XHB tem sifo marcada por várias penetrações bullish falhadas, o que nos deve deixar em alerta em relação aos presentes ganhos.
  • 16m22s As acções globais (ACWI) também registaram subidas importantes nas duas últimas semanas. Porém, a principal resistência a abater, na casa dos $57, permanece em jogo. Além disso, quando se olha para o rácio ACWI:TLT, os recentes rallies parecem bem menos impressionantes, com a tendência primária de descida a ficar bem evidente.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Um sério sinal de aviso: os transportes parecem estar a ceder...


Pela primeira vez desde 2012 no presente Mercado dos Touros, estou a sentir algum desconforto em relação os mercados americanos. A razão prende-se com este gráfico:


A cor-de-laranja temos o fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) que replica o S&P 500, o SPY. A azul temos outro ETF, o IYT, que replica o Dow Jones Transportation Average (DJTA). Ora, apesar de o SPY ter atingido novos máximos em Fevereiro, o IYT tem estado em tendência lateral já desde Novembro. E agora parece ter a ceder, estando já abaixo daquele rectângulo delimitado pelas linhas vermelhas no gráfico.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Dow Jones Transportation Average, gráfico diário (via Greg Harmon), 9-Jan-2015


Já desde o dia 5 de Outubro de 2014 que não olhamos para um gráfico do DJTA aqui no AnB, portanto está na hora de voltarmos a fazê-lo, aproveitando uma análise do Sr. Greg Harmon.

A maioria dos analistas e comentadores dos mercados financeiros contemporâneos exclui o DJTA das suas análises porque este índice, o mais antigo índice bolsista dos EUA que foi criado em 1884 pelo mítico Charles Dow, está supostamente ultrapassado (assim reza a sabedoria convencional dos mercados). Mas eu discordo, pelo motivo que já indiquei várias vezes aqui no AnB: de acordo com a venerável Teoria de Dow, os ganhos das empresas de transportes têm um impacto directo na saúde dos Bull Markets. Mais concretamente, se as empresas de transportes estão a aumentar os seus lucros, então é porque há cada vez mais passageiros e mercadorias para transportar e, concomitantemente, a economia está a crescer.

O DJTA já não traduz esta relação entre as transportadoras e o resto das cotadas em mercado  tão fielmente como outrora, uma vez que muitas das grandes companhias aéreas e ferroviárias dos states já não fazem parte do índice. Mas, ainda assim, o DJTA continua a dar uma boa ideia do estado geral da bolsa e da tendência do mercado. Se o DJTA começar a marcar passo, é sinal de que algo não está bem e é preciso redobrar a atenção às cotações.

Mais vos digo: aqui o vosso blogueiro continua a temporizar a sua entrada e saída nos Bull Markets americanos com base na venerável Teoria de Dow. Sim, também uso outras coisas, análise fundamental, médias móveis, indicadores técnicos, padrões gráficos, etc. Mas, por incrivelmente que pareça, a Teoria de Dow ainda reina suprema no minha forma de estar em bolsa. E em quase 10 anos de bolsa, só me f*** uma vez, em 2008, quando pus momentaneamente a Teoria de Dow de parte.

A Teoria de Dow é bastante simples: na sua versão inicial, estabelece que os dois índices principais da época em que o seu criador viveu, o DJTA (transportes) e o DJIA (indústria), deviam subir ou cair simultaneamente para que estivéssemos em Bull ou em Bear Market. A simultaneidade era absolutamente imprescindível: só quando os dois índices subirem ou caírem é que temos uma tendência primária definida.

Ora, em pleno séc. XXI, o DJTA e o DJIA já não bastam. Por isso é que eu uso os quatro índices principais, S&P500, Nasdaq 100, DJIA e Russell 2000 ... mais o "desactualizado" DJTA. porquê? Porque há situações em que a crise econíómica começa por fazer-se sentir nas transportadoras e só depois se estende aos quatro grandes índices. Na era do crédito sem limites isto pode parecer impossível, mas já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer no futuro. Portanto, o DJTA continua a ser um indicador de referência para a saúde da economia em geral e dos mercados em particular.

O Sr. Harmon começa por nos dizer que vivemos tempos muito excitantes no DJTA e mostra-nos este gráfico:



E prossegue em seguida: «O gráfico do Dow Jones Transportation Average evidencia um fenómeno muito interessante. Podem ver-se várias coisas positivas. Há dois ressaltos na MM(100), com um mínimo mais alto (mantenham isto em mente). Depois veio a confirmação da vela "Harami" de Quarta-feira. O RSI e o MACD estão a virar para cima. Mas provavelmente não reconhecerão a Reversão Positiva do RSI.

Esta reversão ocorre quando o RSI faz um mínimo mais baixo, mas o preço ou índice não faz um mínimo mais baixo. Então, ambos revertem para cima. Este padrão indicia um novo teste do índice à zona do anterior máximo ou até mais alto. Para o gráfico acima, o máximo anterior foi dos 8580,81 até aos 9257,44 ou seja 676,63 pontos. Portanto, agora poderemos vir a passar dos 8659,40 aos 9336,03 pontos.

Isto é significativo porque indicia que poderemos vir a ter em breve um novo máximo no índice dos transportes. Se a indústria (DJIA) corresponder, teremos uma nova confirmação da Teoria de Dow. E a renovação da tendência primária ascendente dos mercados."»

Sempre interessantes, as análises do Sr. Harmon! A propósito, o DJTA não é transaccionável, uma vez que se trata de um índice, i.e. uma média pesada das acções que o constituem. No entanto, os meus leitores podem fazer como eu e recorrer ao fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) iShares DJ Transportation Index Average Fund (IYT:NYSE, ISIN: US4642871929), que tem uma liquidez bastante razoável e replica o DJTA com uma boa fidelidade.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Procura por ETFs cresceu mais do que nunca em 2014


A procura por fundos transaccionáveis (exchange-traded funds, ETF) cresceu de 137 mil milhões de dólares em 2013 para 143 mil milhões de dólares em 2014. O valor investido em ETFs americanos supera agora, pela primeira vez na história, os 2 biliões de dólares (biliões portugueses, triliões americanos).

Para quem não sabe o que são ETFs (situação indesculpável para os leitores deste blogue!), «os ETFs são transaccionados em bolsa como se fossem acções, mas replicam o desempenho de uma carteira de títulos semelhante à dos fundos de investimento que se subscrevem aos balcões das instituições financeiras (bancos, corretoras, etc.) [ver um exemplo aqui]. O mercado dos ETFs representa apenas um décimo da indústria dos fundos de investimento, mas está a crescer a um ritmo muito mais rápido: os fundos tradicionais receberam menos de metade dos $194 mil milhões de dólares que tinham recebido em 2013.»

Um dia normal na bolsa de Nova Iorque, a New York Stock Exchange (NYSE).

Este crescimento não surpreende mesmo nada aqui o vosso blogueiro, por dois motivos: (1) hoje em dia, qualquer pessoa pode comprar e vender ETFs pela inyernet através das plataformas de "trading" disponibilizadas pelas corretoras, o que elimina o processo tradicional e moroso de subscrições aos balcões e confere maior agilidade aos investidores; e (2) bem mais importante, o desempenho histórico dos fundos tradicionais é muitas vezes desastroso, havendo muitos fundos que caem mais que os índices bolsistas em Bear Market e sobem menos em Bull Market.

A vantagem dos ETFs é evidente: tratando-se de instrumentos transaccionados em bolsa e, portanto, sujeitos à lei da oferta e da procura, replicam de uma forma muito mais eficiente os índices ou o conjunto de títulos que representam. Por conseguinte, a eficiência de um ETF é tanto maior quanto mais líquido for esse título, i.e. quanto maior for volume transaccionado. É pois, sem surpresa, que os ETFs mais bem-sucedidos sejam precisamente aqueles que maior volume transaccionado apresentam:

«Entre os ETFs, o SPDR's S&P 500 (SPY: NYSE) foi aquele que mais dinheiro recebeu dos investidores. O fundo, que replica o S&P500, atraiu quase 25 mil milhões de dólares em 2014. É o maior aumento desde que o SPY foi lançado em 2009, e é quase o dobro da quantia injectada no SPY em 2013.» 

 Evolução do índice S&P500 e do ETF SPY desde 2010: a sobreposição é quase perfeita!

«Para além do SPY, os ETFs que mais dinheiro atraíram este ano também estão associados ao S&P 500, nomeadamente o Vanguard S&P 500 ETF (VOO: NYSE), que aparece em segundo lugar com 10 mil milhões de dólares, e o  iShares Core S&P 500 ETF (IVV: NYSE), que aparece em terceiro com 9 mil milhões de dólares.

(...) os ETFs que mais depreciaram em 2014 foram o iShares MSCI Emerging Markets (EEM: NYSE) e o SPDR Gold Trust Shares (GLD: NYSE)». Ou seja, quem mais perdeu foram os ETFs associados aos mercados emergentes e ao preço do ouro.

Termino este postal com uma pequena adenda: os ETFs que replicam índices bolsistas são o instrumento ideal para quem nunca transaccionou em bolsa e está a pensar em começar. É que as acções estão sujeitas a flutuações que podem durar muitos meses, fazendo desesperar os investidores mais inexperientes. Já os índices mantêm geralmente uma tendência ascendente ou descendente bem definida, sendo menos propensos a enervar os iniciados. O único senão é evidente: com ETFs que replicam o mercado, apenas se conseguirá uma performance igual à do mercado. O que até não é nada mau, tendo em conta que mais de 70% das pessoas que investem em bolsa perdem dinheiro e apenas 3% batem o mercado.

Aqui fica a lista dos ETFs mais líquidos para cada um dos principais índices americanos (sem alavancagem):

S&P 500: SPDR's S&P 500 (SPY: NYSE)
Nasdaq 100: PowerShares QQQ Trust (QQQ: Nasdaq GM)
Dow Jones Industrial Average: DJ Industrial Average ETF Trust (DIA:NYSE)
Dow Jones Transportation Average: iShares DJ Transportation Average Index Fund (IYT:NYSE)
Russell 2000: iShares Russel 2000 (IWM: NYSE)

domingo, 5 de outubro de 2014

S&P 500, Nasdaq 100, DJIA, DJTA, Russell 2000 (diário, 03-OUT-2014)


S&P 500

A análise que Harmon fez no postal anterior para o SPY está muito bem, mas gostaria de complementá-la com este gráfico que fiz para o S&P 500:


O que eu quero dizer é o seguinte: o PPO e o CMF podem dar-nos pistas importantes para avaliarmos se estamos perante uma reversão para cima ou não. Em relação ao PPO, há uma LTA (a cor vermelha) que está prestes a ser testada. Se a MME(12) lhe tocar e subir para cima, será um sinal francamente positivo. Da mesma forma, se o CMF não ficar vermelho nas próximas sessões, teremos mais uma confirmação da reversão. O volume transaccionado está finalmente a aumentar novamente, o que é um bom sinal para os investidores.


Nasdaq 100

O Nasdaq continua a ser o índice mais interessante do ano, não só por ser aquele que acumula mais ganhos (11,61%), mas sobretudo por ser aquele que reage mais rapidamente nos movimentos ascendentes, estando já novamente acima da MM(50).


Aquela Dragonfly Doji da sessão de Quinta-feira é regalo para os olhos, mas o CMF ainda está francamente negativo. Prefiro esperar por mais sinais de força, que até poderão vir já na sessão de amanhã.


Dow Jones Industrial Average

Também o DJIA está em grande forma, tendo feito uma Dragonfly Doji quase tão bonita como a do Nasdaq. Infelizmente, os problemas são os mesmos: falta de confirmação pelos indicadores técnicos.


No entanto, a vela de Sexta-feira foi praticamente uma Marubozu, apenas com uma ligeira rejeição de máximos. Portanto, se o DJIA ultrapassar a MM(20), será suficiente para eu considerar que está novamente em modo bullish.


Dow Jones Transportation Average

Há muita gente que diz que o DJTA está ultrapassado, mas eu discordo, por dois motivos. O primeiro prende-se com a venerável Teoria de Dow, que relaciona os ganhos das empresas de transportes com a boa saúde dos Bull Markets: se as empresas de transportes estão a aumentar os seus lucros, então é porque há cada vez mais passageiros e mercadorias para transportar e, concomitantemente, a economia está a crescer. Já o segundo motivo prende-se com este gráfico:


O índice até pode estar "ultrapassado", mas sobe mais do que os outros todos! Foi o único que chegou a testar a MM(20) durante a semana passada. O DJTA não pode ser negociado directamente, mas existe um ETF bastante líquido que o replica muito fielmente, o iShares DJ Transportation Average Index Fund (IYT: NYSE). Estou francamente tentado a abrir uma posição, mas ainda é cedo.


Russell 2000

Eis-nos finalmente chegado ao "patinho feio" do índices norte-americanos. O Russell não tem volume, imprescindível para a nossa análise, razão pela qual nos temos que nos guiar pelo ETF que mais fielmente o replica, que é o IWM:


Há quem diga que o RUT tem um potencial de valorização enorme, mas a mensagem que este gráfico nos transmite é clara: se forem especuladores, apanhem o barco; mas se forem investidores, fiquem longe!!! Apesar de haver uma zona de suporte claríssima entre os $ 106 e os $ 108, o padrão do preço é medonho: novos mínimos e novos máximos abaixo dos seus precedentes. Mas ainda há mais: um "Death Cross", situação em que a MM(50) cruza a MM(200) de cima para baixo, um sinal que muitos investidores encaram como o fim do Bull Market, pelo menos para o índice em causa.

Já eu, como nem aprecio pessimismos catastróficos nem euforias desenfreadas, prefiro esperar. O que eu vejo no gráfico é uma possível consolidação de vários meses, mas o Russell precisa urgentemente de fazer novos máximos acima dos anteriores para confirmar esta hipótese. Idealmente acima dos $ 120 pontos mas, pelo menos, acima do máximo registado no início de Setembro. Enquanto isso não acontecer, eu só quero distância das small caps.