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domingo, 29 de abril de 2018

Ponto da situação (2018-04-27)


     Ainda nada de novo. O S&P 500 ($SPX) continua dentro do rectângulo de consolidação que o Sr. Ciovacco desenhou há umas semanas atrás. O facto de o máximo mais recente (18-Abr) ter sido mais baixo do que o máximo anterior (14-Mar) é algo preocupante mas, enquanto estivermos dentro do rectângulo, nada é definitivo.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ponto da situação (2018-04-18)


      Nada de novo. O S&P 500 ($SPX) continua dentro do rectângulo de consolidação que o Sr. Ciovacco desenhou há umas semanas atrás:





Enquanto o índice se mantiver dentro do reactângulo cor-de-laranja, só nos resta mesmo ter paciência e esperar. Deixo aqui também este vídeo que o Dr. Shannon carregou hoje para o YouTube que, no essencial, nos transmite a mesma mensagem.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Tanto choro e ranger de dentes! 😧


      Ao ler os comentários sobre bolsa nas redes sociais, nos jornais e nas televisões, só posso ficar contente por não conhecer pessoalmente mais ninguém que invista em bolsa. Falo muito a sério! Se eu desse ouvidos às outras pessoas, já me teria arruinado várias vezes, porque a maioria delas fica eufórica muito facilmente e entra em pânico ainda mais rapidamente!

Meus caros, os grandes especuladores, i.e. aqueles que fizeram realmente muito dinheiro ao longo da história, são unânimes: nos mercados, o que conta é a tendência primária. Por tendência primária entende-se aquela que vigora há anos, notem bem, há anos! Ora, o sentido tendência primária é indicado pelas médias móveis de muito longo prazo e, mesmo assim, nem sempre! Por exemplo, já vos mostrei, nesta posta que fiz no passado dia 24 de Março, que até mesmo a média móvel simples a 200 dias pode mudar de direcção sem que um Bull Market tenha terminado, como aconteceu entre 2015 e 2016. Também vos mostrei, nessa mesma posta, que é possível haver dois "cruzamentos de morte" seguidos, separados apenas por alguns meses, sem que o Bull Market tenha terminado!

É verdade que ontem o $SPX (S&P 500) fechou abaixo da sua média móvel simples a 200 dias, mas é preciso ver que o declive dessa média móvel simples a 200 dias continua positivo! Mas não só... desde logo, também temos isto (cortesia do Sr. Shannon):



...E também temos o rectângulo que vos mostrei na posta anterior (cortesia do Sr. Ciovacco):


Por isso calminha, que isto ainda não acabou! É possível que estejamos nos primórdios de um novo Bear Market? Claro que é... mas é provável? Não. A probabilidade ainda aponta para que estejamos num Bull Market, porque os indicadores da tendência primária ainda não se inverteram. Na bolsa guiamo-nos por probabilidades, não por possibilidades. Porquê? Porque quem se guiar por possibilidades pode acertar algumas vezes, mas falhará garantidamente outras tantas! Já quem se guiar por probabilidades acertará mais do que falhará, porque a estatística assim o determina.

E para concluir, aqui fica uma dica do Dr. Braga de Matos, autor do melhor livro de bolsa escrito em língua portuguesa:
«O benfazejo Jogo das Acções, que por ser de soma positiva é inelutavelmente de ganhar como vimos, é também traiçoeiro, porque alicia quando fica perigoso e repele quando tudo é favorável (mas não parece). A vertente das aparências é uma faceta interessantíssima do jogo. Daí, no livro, um capítulo dedicado à "Arte do pensamento contrário".»
Fernando Braga de Matos

E para aqueles que estiverem a pensar que o Dr. Braga de Matos não percebe nada disto, aqui fica uma variação daquilo que ele disse acima, enunciada por aquele que muitos consideram ser o maior investidor vivo:

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Mais um dia bem vermelhinho...


      Para aqueles que eventualmente estiverem a entrar em pânico com as quedas de hoje, aqui fica uma versão actualizada do rectângulo de consolidação desenhado pelo Sr. Ciovacco há algumas semanas atrás. Como se pode ver, o índice ainda está dentro do rectângulo, pelo que ainda é cedo para deitar a toalha ao chão.



Além de que convém nunca nos esquermos disto:


sábado, 24 de março de 2018

Ponto da situação (2018/03/23) - via SPY


     Como eu tinha temido na última posta, os mercados bolsistas mundiais voltaram a cair. A situação foi particularmente feia no sector financeiro, mas o resto dos sectores de mercado não ficou muito atrás em matéria de desvalorização. No caso do S&P 500, por exemplo, o SPY fechou a semana muito perto do mínimo de Fevereiro e, pior do que isso, abaixo da média móvel simples a 200 dias:


Observe-se ainda que a média móvel simples a 50 dias já inverteu a sua trajectória ascendente, estando agora com um declive negativo. O MACD e o RSI, apesar de estendidos, ainda sugerem que as quedas poderão continuar na próxima seguinte.

Olhando agora para o gráfico intradiário do SPY (velas de 30 minutos), verificamos um aumento significativo da volatilidade desde o máximo de 26 de Janeiro, tendo a média móvel simples a 5 dias um declive claramente descendente:


Como seria de esperar, o SPY fechou abaixo das médias móveis ponderadas por volume que temos seguido nas últimas postas (VWAP YTD, VWAP 26-JAN e VWAP 9-Fev). Tive de fazer este gráfico no MS-Excel porque a minha plataforma de negociação não me permite criar VWAPs ancoradas:


Perante este cenário, urge perguntar: o que podemos esperar para a próxima semana? Em primeiro lugar, é necessário termos bem presente que este género de comportamento dos mercados é normal durante os Bull Markets. E nem sequer é preciso recuarmos muito tempo para vermos algo do género num passado recente, neste mesmo Bull Market. Entre Agosto de 2015 e Março de 2016, o S&P 500 fez isto, que foi (até ver) bem mais feio do que aquilo que estamos a ver agora:


Há duas formas aceitáveis de lidar com este género de situações: (1) não fazer nada até que o S&P desça abaixo de um nível considerado como limite aceitável para as perdas e, nessa altura, encerrar as posições, ficando depois à espera que a bolsa volte a dar sinais de força ascendente; e (2) definir patamares graduais para encerramento de posições activas e abertura de posições defensivas.

Em relação à primeira estratégia -que é aquela que se recomenda ao público em geral e às pessoas sem experiência de bolsa-, o Sr. Ciovacco partilhou connosco, no seu comentário em vídeo semanal, este gráfico que nos mostra como podemos definir o tal valor limite para as perdas:


Ou seja, pegamos no mínimo registado desde o início das quedas (9-Fev) e no máximo observado durante o mesmo período (13-Mar) e traçamos um rectângulo de consolidação como aquele que se pode ver na imagem acima. Note-se que o rectângulo é apenas indicativo, pelo que o $SPX pode descer um pouco abaixo do valor registado (2532). No entanto, quanto mais tempo o $SPX se mantiver abaixo do rectângulo, maior será a probabilidade de que não consiga recuperar. Por isso, se o índice cair e não recuperar durante várias semanas, será altura de deitar a toalha ao chão.

A segunda estratégia -que é aquela que eu adopto nestas ocasiões mas que é muito mais arriscada- é não ficar impotentemente à espera que o $SPX desça até ao fundo da caixa, mas ir abrindo posições curtas à medida que o índice vai desvalorizando. Fiz isso esta quinta-feira, quando o $SPX desceu abaixo do mínimo de 2-Mar, aumentei a posição na sexta-feira e tenciono aumentá-la novamente caso o rectângulo seja quebrado. Mas atenção que o $SPX pode tocar no fundo do rectângulo e voltar rapidamente para cima, pelo que recomendo muito cuidado a quem decida fazer o mesmo!

Para terminar, vamos olhar para um gráfico semanal do SPY, partilhado pelo Sr. Harmon:


Como se pode ver acima, o RSI semanal do SPY só entrou agora na zona bearish (<50%), pelo que ainda há muito espaço para mais quedas, facto que é corroborado pela distância da última vela à Banda de Bollinger inferior e pelo aumento do histograma do MACD. Resumindo e concluindo, vai ser preciso termos muita paciência nas próximas sessões... e, acima de tudo, um plano para todas as possibilidades: ressaltos, mais quedas, e quedas seguidas de ressaltos!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (16)


      Agora que os mercados americanos parecem estar finalmente a recuperar das quedas do início deste mês de Fevereiro, chegou a altura de olharmos novamente para o mercado como um todo, i.e. de confrontarmos as perspectivas de lucro futuro nas acções com as perspectivas de lucro futuro nos veículos de investimento defensivos, obrigações e fundos de rendimento garantido (os metais preciosos ficam, para já, fora desta análise).

O motivo pelo qual é obrigatório fazer este exercício após cada correcção significativa dos índices bolsistas é que, quando o dinheiro sai da bolsa, é imprescindível percebermos se volta a entrar nas semanas seguintes ou se, pelo contrário, é aplicado noutros tipos de investimentos. Porquê? É simples: se o dinheiro volta a entrar na bolsa, i.e. é usado para comprar acções e ETFs¹, então as perspectivas de subidas das cotações bolsistas a médio e longo prazo mantêm-se inalteradas. Pelo contrário, se o dinheiro é usado para comprar obrigações, metais preciosos e outros activos de natureza defensiva, isso significa que o dinheiro está a sair das acções e dos ETFs, pelo que há um risco acrescido de o mercado deixar de subir a médio e longo prazo. Como dizem os norte-americanos, "follow the money", é preciso seguir o dinheiro!


Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m21s O Sr. Ciovacco começa o vídeo com o gráfico de que mais se tem falado no mundo financeiro nas últimas semanas, que é o gráfico da evolução da taxa de juro das obrigações do tesouro americano a 10 anos no mercado secundário, $TNX². Houve muita gente que apontou a recente subida desta taxa de juro como o gatilho que espoletou a recente correcção dos mercados -eu não acredito nisso, por motivos que ficarão claros a seguir. Como se pode ver no gráfico do $TNX, a taxa de juro das obrigações do tesouro americano a 10 anos atingiu o seu ponto mais elevado no início dos anos 80 e, desde então, tem estado numa tendência decrescente de muito longo prazo.
  • 01m01s O Sr. Ciovacco usa este gráfico do $TNX para explicar algo que, para o comum mortal, é bastante contra-intuitivo: quando as taxas de juro descem, a procura por obrigações aumenta. Porquê? Porque os investidores apressam-se a comprar obrigações antes que a taxa de juro desça mais, garantindo assim uma maior rentabilidade dos seus títulos. No mercado secundário, este efeito é ainda mais dramático, com os investidores dispostos a pagar mais por obrigações emitidas em anos anteriores (ver o exemplo que é dado no vídeo assumindo um investimento de $100 mil). Para quem achar que isto que eu estou a dizer está errado, deixo aqui um exemplo simples: até 2016, o governo português emitiu os  Certificados do Tesouro de Poupança Mais (CTPM), que tinham uma taxa de remuneração significativamente superior a qualquer um dos títulos obrigacionistas que passaram a ser disponibilizados ao público desde então. Ora, o pico da procura por obrigações em Portugal coincidiu precisamente com o fim dos CTPM, porque os investidores portugueses sabiam que os títulos de dívida que seriam emitidos a seguir teriam uma taxa de juro significativamente mais baixa, logo, uma remuneração inferior.

  • 02m20s Inversamente, quando a tendência das taxas de juro das obrigações é de subida, a procura por obrigações diminui, porque os investidores sabem que as obrigações tenderão a ser mais bem remuneradas no futuro do que no presente (veja-se o exemplo que o Sr. Ciovacco nos dá para um investidor com $100 mil no ano de 2016). É esta dicotomia entre taxas de juro e procura por obrigações que torna as dívidas soberanas dos países particularmente perigosas: quanto mais a taxa de juro sobe no mercado secundário, menos pessoas e instituições querem comprar títulos de dívida emitidos em anos anteriores, levando a situações como a que os portugueses viveram entre 2008 e finais de 2013.
  • 04m01s Portanto, retenhamos esta regra importantíssima: quando a tendência de valorização das taxas de juro das obrigações no mercado secundário é decrescente, a procura por obrigações aumenta; quando a tendência de valorização das taxas de juro das obrigações no mercado secundário é crescente, a procura por obrigações diminui.
  • 04m39s Ora, no presente momento (Fev-2018), as obrigações do tesouro americano parecem estar a inverter a sua tendência de descida a muito longo prazo. Olhando para o gráfico do $TXN, observa-se um duplo fundo multianual entre 2012 e 2017 e, se o $TNX cruzar os 30 pontos, poderemos entrar num ciclo ascendente de vários anos ou até várias décadas, i.e. numa tendência de valorização a muito longo prazo das taxas de juro das obrigações no mercado secundário. É isto que está a deixar, de acordo com os mé(r)dia financeiros, muitos investidores nervosos... a perspectiva de uma crise da dívida soberana norte-americana.
  • 07m47s O Sr. Ciovacco faz aqui um ponto importantíssimo. À medida que as taxas de juro das obrigações sobem, também os rácios preços-lucro das empresas tendem a subir e, com eles, a sua valorização bolsista ao longo do tempo. Tendo em conta que as taxas de juro das dívidas soberanas dos países industrializados atingiram um mínimo em 2016, é possível e até provável que as taxas de juro globais continuem a subir nos próximos anos e, com elas, os rácios preços-lucro dos mercados bolsistas mundiais. Aliás, desde que esse mínimo ocorreu, as acções têm ganhado terreno, enquanto as obrigações têm perdido terreno.
  • 15m07s Essa realidade fica perfeitamente demonstrada quando olhamos para o rácio entre o S&P 500 ($SPX) e as obrigações a 30 anos ($USB). Conforme se pode ver no gráfico em baixo, o desempenho do $SPX relativamente ao $USB foi superior entre 1978 e a "bolha das dot com", no início do ano 2000. Desde então, o rácio $SPX/$USB variou consoante os bull e bear markets da primeira década deste século, mas subiu consistentemente desde o ano de 2009, superando, em finais de 2017, o nível pré-"bolha das dot com", o que é um sinal bullish (ascendente) para o longo prazo.


  • 16m02s Também é interessante observar, no gráfico acima, que o rácio $SPX/$USB fez um padrão de "cabeça e ombros invertido" multianual entre 2000 e 2017, o que reforça a teoria bullish para os próximos anos. Atenção que isto não é uma previsão, estamos a falar de probabilidades, nos mercados nunca há certezas absolutas, a não ser entre os charlatães!
  • 16m43s O índice médio direccional ADX corrobora o que foi dito no parágrafo anterior, com um cruzamento multianual positivo (preto cruza vermelho de baixo para cima).
  • 18m08s O Índice Geométrico Value Line, um índice de cotações igualmente ponderadas de 1675 empresas listadas na bolsa de Nova-Iorque (NYSE), também superou recentemente o nível de valorização pré-"bolha das dot com", reforçando a hipótese bullish para as acções.
  • 34m40s Nenhum vídeo do Sr. Ciovacco acaba sem a habitual comparação do momento actual nos mercados com os momentos pré-crash. E, com efeito, a situação a longo prazo nos mercados mantém um viés francamente positivo, não obstante a recente correcção. Resumindo e concluindo: quem tem acções, deve mantê-las. Eu até aproveitei as recentes quedas para comprar mais!
_____________
(¹) - A abreviação ETF designa Exchanged-traded Fund, i.e. Fundo (de acções) Transaccionado em Mercado. Trata-se de um fundo que pode ser comprado e vendido como se fosse uma acção mas que, na prática, é constituído por várias acções e tem como objectivo replicar um determinado índice ou sector de mercado. Exemplos: o SPY é um ETF que procura replicar a evolução do índice S&P 500; o QQQ é um ETF que procura replicar a evolução do índice Nasdaq 100; o SMH é um ETF que procura replicar a evolução do sector dos semicondutores; o IBB é um ETF que procura replicar a evolução do sector das biotecnológicas, etc.

(²) - O valor facial do $TNX não representa a taxa de juro em si ($UST10Y) que é aproximadamente 10 vezes menor. No entanto, tal como o SPY segue o S&P 500, a evolução do $TNX em termos relativos segue a evolução da taxa de juro de uma forma muito aproximada, pelo que pode ser perfeitamente usado como proxy para análise.

sábado, 25 de novembro de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (15)


     Tivemos mais uma semana de ganhos em Wall Street, com o S&P 500 ($SPX), o Nasdaq ($NDX) e o Russell 2000 ($RUT) a fecharem em novos máximos históricos. Os índices bolsistas norte-americanos teimam em não corrigir: o $SPX já não desce à sua média móvel simples a 200 dias -mms(200)- desde Novembro de 2016 e à sua média móvel simples a 50 dias -mms(50)- desde o início de Setembro deste ano. O $NDX e o $INDU já não descem à sua mms(200) desde Julho de 2016, tendo tocado na sua mms(50) no início de Setembro de 2017. O $RUT esteve abaixo da sua mms(200) em Agosto deste ano, mas recuperou rapidamente logo em Setembro e está novamente em máximos históricos.

A minha carreira como investidor nos mercados financeiros é relativamente recente: em Março de 2018 ter-se-ão cumprido apenas 13 anos desde que fiz o meu primeiro negócio em bolsa. Mas em todo esse período, não me lembro de uma altura tão boa na bolsa americana como a actual...  estou até um pouco frustrado porque não tenho conseguido acrescentar capital às minhas posições, por não terem ocorrido quedas de cotação que me permitam fazê-lo a meu gosto. E o que é mais surreal, é que o Sr. Ciovacco -analista técnico seguidor de tendências de longo prazo- está convencido que esta festa está para durar!

Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m33s O exercício que o Sr. Ciovacco nos propõe esta semana é ligeiramente diferente daquilo a que ele nos tem habituado. É que hoje o termo de comparação não são médias móveis ou indicadores técnicos, mas sim as obrigações e o ouro. Por exemplo, o gráfico que se segue mostra-nos o quociente entre a cotação de dois fundos transaccionáveis da iShares, (1) o IWF, que procura replicar a valorização de um cabaz de acções de grande e média capitalização bolsista e (2) o IEF, que procura replicar a valorização de um conjunto de obrigações do tesouro americano com maturidade entre 7 e 10 anos. O que o gráfico nos diz é que, durante períodos bons para as acções, o rácio IWF:IEF tende a aumentar e, inversamente, a diminuir em períodos maus para as acções.

  • 01m19s Olhando para um gráfico da muito longo prazo do rácio entre o S&P 500 ($SPX) e o índice das obrigações cuja maturidade até aos 30 anos do Chicago Board of Trade ($USB = U.S. Bond), observa-se um período de consolidação multinanual entre 1994 e 2017 (23 anos) no interior do rectângulo alaranjado. Repare-se também na 'bear trap' em 2016.
 
  • 04m07s No gráfico que se segue temos o mesmo rácio ($SPX:USB), mas num gráfico trimestral (o anterior era anual). O gráfico mostra o mesmo rectângulo de consolidação e também o índice direccional médio, o ADX. Verifica-se que a linha preta do ADX está prestes a cruzar as linhas verde e vermelha de baixo para cima, o que é tipicamente um sinal bullish.

  • 07m06s O Sr. Ciovacco volta a partilhar connosco uma brilhante observação de Richard Donchian:
«Um movimento que é sucedido por uma período de lateralização dentro de uma gama de valores é muitas vezes seguido por um segundo movimento na mesma direcção do primeiro movimento e quase com a mesma extensão.»
-Richard Donchian, no livro Trend Following
  • O ponto desta citação é o seguinte: olhe-se para a evolução do rácio no gráfico acima antes do rectângulo; depois olhe-se para a evolução do rácio dentro do rectângulo... se o Sr. Donchian tiver razão, há uma grande probabilidade (atenção, probabilidade ≠ certeza!) de que aquilo que aconteceu entre 1978 e 1994 se repita nos próximos anos.
  • 11m04s Refazemos a análise, mas agora começamos por usar o fundo transaccionável SPY (S&P 500) em vez do índice ($SPX), para comparar o S&P 500 ao ouro (GLD). Sendo um activo de refúgio, o Ouro tende a subir quando as acções tendem a cair (nem sempre, é uma regra geral mas não absoluta).


  • 11m44s Pois bem, usando agora o rácio entre os índices correspondentes ($SPX e $GOLD), é possível obter  gráfico trimestral para o período entre 1979 e 2017 (23 anos) que se mostra a seguir. A primeira coisa que salta à vista é a quebra da linha de tendência descendente (LTD) que vigorou desde o crash da "bolha das dot com", em 2000, até 2013, quando as acções começaram a ter um desempenho superior ao do ouro. Esse momento, quebra da LTD, é assinalado no gráfico pelo número 1. Os dois números seguintes são: (2) novo mínimo mais alto que o precedente e (3) novo máximo mais alto que o precedente.

  • 14m08s O Sr. Ciovacco acrescenta a média móvel de convergência-divergência (MACD) ao gráfico anterior. O indicador técnico reforça as observações feitas acima, com a situação actual a parecer muito semelhante àquela que se observou no período entre 1988 e 2000, altura em que as acções tiveram uma performance relativa muito superior à do ouro.
  • 16m30s O Sr. Ciovacco acrescenta o TRIX ao gráfico anterior. As conclusões são muito semelhantes àquelas que foram retiradas para o MACD.
  • 18m01s Tudo isto para responder a duas perguntas que o Sr. Ciovacco colocou no início do vídeo: (1) "os portfolios diversificados já tiveram melhor dias?" e (2) "estará a ouro a iniciar um período de baixa performance?" A resposta a ambas perguntas parece ser sim. Tendo em conta os dados e os factos expostos neste vídeo, as obrigações e o ouro parecem destinados a render menos do que as acções durante próximos anos. Mais uma vez, isto não é uma previsão, é simplesmente aquilo que os gráficos sugerem.
  • 22m11s O Sr. Ciovacco termina a sua apresentação a sublinhar, mais uma vez, a necessidade de não cair nos erros de amador elencados neste slide. Ou como disse o maior especulador de todos os tempos, "não há ninguém que consiga apanhar todas as flutuações [de mercado]".

sábado, 11 de novembro de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (14)


    Há divergências de curto e de médio prazo nos gráficos diários e mensais dos principais índices bolsistas norte-americanos, que sugerem a possibilidade de queda das cotações num futuro próximo. Mas -e atenção que este é mesmo um grande MAS-, a longo prazo continua tudo na mesma: bullish.

A análise que podemos ver no vídeo mais abaixo centra-se no S&P 500. A sua mensagem principal é exactamente aquela que eu indiquei na última frase do parágrafo anterior: cuidado com os nervos de aprendiz e com a tentação de apostar em quedas  continuadas dos mercados... porque os factos de que dispomos não apontam nesse sentido!


Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m41s O Sr. Ciovacco começa o vídeo com um conjunto de quatro artigos sensacionalistas dos mé(r)dia financeiros. Nesta altura do campeonato, quem ler este blogue regularmente já deve estar farto de saber que os mé(r)dia financeiros são como o resto dos mé(r)dia, completamente inúteis, ou quase. E o Senhor Ciovacco explica porquê:
    • Todos os títulos dos quatro artigos aludem a desenvolvimentos bearish: "bolha dos mercados", "crise da dívida", "incompetência ou corrupção da reserva federal", etc.
    • Todos os quatro artigos têm mais comentários do que a média;
    • Mas, mais importante, todos os quatro artigos têm pouco a ver com a realidade.
  • 02m24s Olha para um gráfico anual do S&P 500, entre 1954 e 1973 (19 anos), durante o qual o S&P 500 ganhou 376%. O Sr. Ciovacco sobrepôs a média móvel simples a 9 anos e a média móvel simples a 8 anos sobre esse gráfico. Observa-se que o preço esteve sempre em cima das duas médias móveis indicadas durante os 19 anos, e a mms(8) -mais rápida- esteve sempre em cima da mms(9) -mais lenta.
  • 03m43s Acrescentando mais oito anos ao gráfico anterior, i.e. até 1981, observa-se que o S&P 500 praticamente não avançou depois de 1973. As duas médias móveis referidas anteriormente permaneceram praticamente horizontais, denotando um período de consolidação (ou lateralização).
  • 04m20s Depois desse período de consolidação, a partir de 1981, o S&P 500 voltou a subir durante 18 anos, até 1999... o ganho correspondente foi de 1098%! Mais uma vez, a mms(8) esteve sempre em cima da mms(9) durante a subida.
  • 04m52s Agora vem a parte mesmo gira... se incluirmos os anos em falta até ao dia de hoje, verificamos que a mms(8) está em cima da mms(9) pela primeira vez desde a "bolha das dot com".
  • 06m43s Voltando novamente ao gráfico inicial, entre 1954 e 1973 (19 anos), o Sr. Ciovacco refaz a análise anterior mas utilizando agora indicadores técnicos em vez das médias móveis. Os indicadores escolhidos pelo Sr. Ciovacco foram a Largura das Bandas de Bollinger (BBW), o Índice de Canal de Mercadoria (CCI) e o Índice de Força Real (TSI).
  • 08m38s Acrescentando o período até à "bolha das dot com", é possível observar como todos os indicadores anteriores estão ao contrário, i.e. indicando a queda das cotações. Repara no sentido das setas (amarelas) e compará-las com as anteriores (verdes).
  • 10m03 Avançando novamente até Novembro de 2017, verificamos que o momento actual nos mercados é muito mais parecido com o das setas verdes (1981) do que o das setas brancas (2000). Todos os indicadores mencionados estão claramente bullish, tal como estavam no início da década de 80.
  • 14m09 E, para os que ainda estiverem cépticos, o Sr. Ciovacco repete a análise anterior para mais três indicadores técnicos: o Índice Direccional Médio (ADX), o Índice de Força Relativa (RSI) e o Oscilador de Percentagem de Preço (PPO). As conclusões são exactamente as mesmas dos casos anteriores: todos os indicadores apontam para a continuação das subidas a longo prazo.
  • 17m18 E para aqueles que, mesmo depois de tudo o que foi mostrado até aqui, continuarem sem acreditar, o Sr. Ciovacco refaz a análise com mais três indicadores técnicos: a Curva de Coppock (COP), a Percentagem de Williams ou Williams %R (WM%) e a Taxa de Variação (ROC). As conclusões voltam a ser as mesmas dos casos anteriores: estes três indicadores apontam para a continuação das subidas a longo prazo.
  • 19m39 E eis-nos chegados à parte mais interessante deste vídeo. O Sr. Ciovacco aponta para um dado muito interessante ao olharmos para o ROC anual do S&P 500... é apenas a segunda vez, desde 1954, que o ROC anual está a subir depois de quase ter tocado no zero! Notem bem, nos últimos 63 anos, o ROC anual apenas se aproximou do zero duas vezes, uma nos 70 -que foram seguidos por grandes subidas multianuais- e outra no período entre 2011 e 2013!
  • 20m19 Voltando ao gráfico inicial do $SPX com a mms(8) e a mms(9), e removendo agora a acção de preços (i.e. ficando apenas com as médias móveis anuais), o Sr. Ciovacco enfatiza mais uma vez que, durante os períodos de consolidação, as mms tendem a sobrepor-se. Já nos períodos de subida, a mms(8) fica em cima da mms(9). É precisamente este segundo caso que se observa no gráfico do $SPX no presente ano de 2017.
  • 22m23 Acrescentando mais dados ao gráfico para incluir duas décadas antes de 1954, i.e. traçando o gráfico do $SPX entre 1934 e 2017, observa-se um outro período de consolidação multianual entre 1934 e 1946, seguido por um extenso período de ganhos, até 1972.
  • 23m01 Agora os números: entre 1949 e 1972, o $SPX ganhou 582% em 23 anos; entre 1981 e 1999, o $SPX ganhou 1098% em 18 anos! Mas é preciso ter bem presente tudo isto aconteceu a longo prazo!!!
  • 24m37 As várias médias móveis de médio e longo prazo do $SPX mostram, no presente momento, uma tendência ascendente saudável. O Sr. Ciovacco compara o gráfico de Novembro de 2017 com a situação em 1996 e em 2012... a situação é muito semelhante em todos os três casos.
  • 29m00 Em 2017, já houve 88 dias em que o $SPX terminou com perdas. Porém 100% desses dias foram seguidos por novos máximos. Moral da história? A paciência é, de longe, a maior virtude que um investidor pode ter. Ou, como disse o maior especulador da história:
"Ninguém consegue apanhar todas as flutuações [do mercado]".
-Jesse Livermore
  • 32m02 O Sr.. Ciovacco termina este grande vídeo com um conceito fascinante: the nimble barge, que é como quem diz, "a barcaça ágil", numa alusão ao que sucedeu com o $SPX entre o segundo semestre de 2015 e o Brexit, em Junho de 2016: a barcaça parecia seguir num determinado sentido (bearish) mas, no espaço de seis meses, entre o Brexit e a eleição do Presidente Trump, a barcaça inverteu o seu sentido e ficou claramente bullish durante um período que já vai em quase 21 meses! E essa nem é a melhor parte... a melhor parte é que a nimble barge -que é um evento raro- foi exactamente o que aconteceu em 1981! 😉

domingo, 30 de julho de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (13)


     Vou começar esta posta da mesma forma que fiz a semana passada, com um gráfico diário actualizado do S&P 500 ($SPX):



O Sr. Ciovacco começa o vídeo a dissertar sobre fractais. Quem não souber o que é um fractal em termos genéricos, pode consultar este artigo na Wikipédia ou esta descrição ainda mais simples, ou ainda este documentário no YouTube, mas a ideia é tão simples quanto isto: um fractal é um padrão que se repete indefinidamente (ou quase) quando se observa a mesma entidade a diferentes escalas. Por exemplo:




Os fractais ocorrem naturalmente na natureza. Por exemplo, os ramos das árvores podem ser considerados de natureza fractal, uma vez que, à medida que se olha para a árvore do tronco até à copa, há uma tendência para os ramos se subdividirem cada vez mais, em ramos cada vez mais curtos e finos, como se a árvore fosse composta por outras árvores mais pequeninas. Ora reparem:


Ora, acreditem ou não, esta natureza fractal que podemos ver na imaem acima também se observa nos padrões de acção de preços da bolsa!



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 02m45s O Sr. Ciovacco começa por nos mostrar um gráfico histórico semanal do compósito Value Line Geometric Index ($XVG), que procura traduzir o valor do mercado como um todo, através da normalização do valor de várias companhias listadas não apenas na NYSE e no Nasdaq mas também títulos transaccionados nos mercados de balcão. O gráfico compreende o período entre 1980 e 1995 e mostra uma longa consolidação ou lateralização multianual (7,84 anos) que termina numa "explosão" ascendente do $XVG, que valorizou 68% a até 1998.
  • 05m12s Agora o Sr. Ciovacco acrescenta ao gráfico anterior cerca de 22 anos, até ao momento actual, i.e. ficamos com um gráfico semanal do $XVG entre 1980 e 2017. O que se observa neste novo gráfico é que o padrão de consolidação anterior parece repetir-se, mas agora a uma escala maior, ou seja, parecemos estar aqui perante um fractal do gráfico anterior, com o período de lateralização a durar agora 19,27 anos. A confirmar-se o fractal, assistiremos a um período de subidas de vários anos no $XVG (atenção que probabilidade ≠ possibilidade).
  • 10m11s O fractal em causa torna-se mais claro olhando para esta versão ampliada do gráfico anterior.
  • 12m27s O Sr. Ciovacco partilha connosco uma pérola da sabedoria de Richard Donchian:
«Um movimento que é sucedido por uma período de lateralização dentro de uma gama de valores é muitas vezes seguido por um segundo movimento na mesma direcção do primeiro movimento e quase com a mesma extensão.»
-Richard Donchian, no livro Trend Following
  • 14m37s Mas a análise anterior também pode ser útil caso os mercados desvalorizem... com efeito, é preciso manter os olhos bem postos na linha de consolidação, i.e. o valor a partir da qual a cotação supera todos os máximos anteriores. Se o $XVG voltar a descer abaixo dessa linha depois de a ter penetrado, então é possível que estejamos perante uma falsa penetração ou "bull trap" (armadilha para touros) e os índices bolsistas venham a cair durante muito tempo. A chave é perceber se o $XVG se mantém acima ou abaixo dessa linha nas semanas que sucedem à sua penetração. 
  • 16m26s O Sr. Ciovacco diz-nos que, para o $XVG, essa linha andará na casa dos 508 pontos. No dia 28 de Julho, o compósito fechou a semana nos 528,66 pontos... portanto, para já, estamos acima da linha de consolidação. 
  • 24m09s O Sr. Ciovacco repete novamente o seu habitual exercício de comparar o gráfico actual do S&P 500 ($SPX) com gráficos históricos. A conclusão é semelhante àquela que temos visto nas últimas semanas, i.e. a evolução do $SPX a longo prazo é claramente bullish e (ainda) não inspira motivos de preocupação.

domingo, 23 de julho de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (12)


Hoje começo esta posta com um gráfico diário actualizado do S&P 500 ($SPX):


Basta olhar para o gráfico acima para se constatar rapidamente que 2017 tem sido um grande ano para os investidores, com o $SPX a acumular um ganho de 10,45% desde o início do ano. A questão agora é: esta festa está para durar?



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 01m09s O Sr. Ciovacco começa com um gráfico diário do S&P 500 ($SPX), relativo ao período entre 2007 e 2009, no qual ele representou várias médias móveis. Olhando para o gráfico em 2007 e no início de 2008, verifica-se que, até ao espoletar da crise financeira, as médias móveis tinham todas um declive (slope) positivo, com as médias móveis de curto prazo em cima das médias móveis de longo prazo. No início de 2008, a situação inverteu-se, com as médias móveis a adquirirem um declive negativo e as médias móveis de curto prazo a ficarem por baixo das médias móveis de longo prazo. O ponto deste exercício é observar que, contrariamente ao que muita boa gente julga, os mercados não caem abruptamente do dia para a noite; é possível antever, dentro de determinados limites, a chegada de um Bear Market... e ir reduzindo progressivamente as nossas posições longas em bolsa muito antes de elas perderem a maior parte do seu valor. 
  • 09m32s Aqui temos um gráfico histórico do fundo VINFX, que se replica aproximadamente o S&P500. O gráfico cobre o período correspondente à crise financeira de 2007-2008, com a percentagem de prejuízo correspondente: 55,26%. O Sr. Ciovacco pretende mostrar-nos que a estratégia "buy & hold" (comprar e manter) pode levar a grandes perdas quando os Bear Markets chegam. Pode parecer uma verdade à La Palice, mas convém ter esta realidade sempre presentes quando se tem capital investido na bolsa.
  • 09m54s Agora o gráfico do VINFX para o período correspondente à "bolha das dot com", em que a perda para quem nunca vendeu foi de 47,44%.
  • 19m31s Vamos agora olhar para os rácios entre diferentes índices. Começando pelo IWM/SPY (Russell 2000/S&P 500 ou, talvez mais importante, small cap/large cap), o gráfico mensal entre 2000 e 2017 mostra uma tendência a longo prazo para o SPY ter um desempenho melhor do que o IWM, i.e. quem detinha o SPY durante o período em causa fez mais dinheiro do que quem detinha o IWM. O Sr. Ciovacco faz aqui um ponto importante: há momentos em que o IWM sobre mais do que o SPY, mas não vale comprar mais IWM e menos SPY só por causa disso, porque o SPY cresce mais a longo prazo.
  • 20m45s No entanto, quando se olha para o rácio IWF/SPY (large cap growth/large cap - atenção que o Russell 1000, contrariamente ao Russell 2000, não é um índice de small cap, é um índice de large cap!), a situação inverte-se. Com efeito, a performance do IWF tem superado a do SPY desde a crise-financeira de 2007-2008.
  • 22m26s O Sr. Ciovacco utiliza mais dois rácios (VUG:VT e VT:SPY) para nos mostrar que as acções americanas têm tido, ao longo dos últimos anos, um desempenho bastante superior às acções globais - é precisamente por isso que eu raramente falo dos mercados fora dos states aqui no Afonso na Bolsa... há que seguir o dinheiro 😉!
  • 24m24s Olhando agora para o SPY isoladamente e depois para o rácio EFA:SPY (acções europeias / S&P 500), verificamos que a performance relativa das acções europeias tem melhorado recentemente mas, a longo prazo, as acções americanas têm uma maior probabilidade de continuar a ter melhor desempenho (atenção que probabilidade ≠ possibilidade).
  • Já agora, a propósito de desempenho comparativo, aqui fica a performance percentual dos principais fundos transaccionáveis norte-americanos, desde o início de 2017:

  • 31m12s Revemos mais uma vez a história do $SPX, comparando a situação durante o espoletar da crise financeira de 2007-2008 e a situação actual (Julho de 2017). A comparação entre o passado e o presente não levante motivos de preocupação. A  comparação com a "bolha das dot com" leva às mesmas conclusões.
  • 35m06s A análise do ponto anterior é repetida para o Dow Jones Industrial Average e o compósito do Nasdaq. As conclusões são as mesmas: a evolução recente destes índices não suscita motivos de preocupação.

sábado, 15 de julho de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (11)


     Os mercados bolsistas americanos continuam a superar as expectativas! Estas semana, o S&P 500 ($SPX) fechou novamente num máximo histórico, desta feita nos 2459,27 pontos, tal como o Dow Jones Industrial Average ($INDU), que fechou nos 21637,74 pontos, e o  Dow Jones Industrial Transportation Average ($TRAN), que fechou nos 9742,76 pontos. O Nasdaq 100 ($NDX), o Russell 2000 ($RUT) e o S&P 400 ($MID) também se encontram perto dos seus máximos históricos, embora os dois últimos tenham andado a lateralizar desde Fevereiro deste ano. O único sector que inspira alguma prudência é o da distribuição ($DJUSRT), sendo que mesmo aqui há uma tendência de longo prazo que ainda se mantém positiva, uma vez que o índice ressaltou na sua média móvel simples a 200 dias, cujo declive se mantém ascendente.

Posto isto, é preciso ter bem presente que as divergências de médio prazo que eu identifiquei nesta posta de há pouco mais de um mês se mantêm, pelo que convém não entrar em euforias: os mercados ainda podem vir a corrigir nas próximas semanas! No entanto, a longo prazo (meses a anos), a tendência primária continua a ser de subida:



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 00m29s O Sr. Ciovacco abre o vídeo de uma forma muito semelhante ao que fez na semana passada, utilizando médias móveis de longo prazo e gráficos históricos semanais do S&P 500 ($SPX) para avaliar o presente momento dos mercados bolsistas. As médias móveis escolhidas foram a média móvel simples a 30 semanas, a média móvel simples a 40 semanas e a média móvel simples a 50 semanas. O primeiro gráfico mostra o que aconteceu ao $SPX no início da crise financeira de 2007-2008, com as médias móveis mais rápidas a cruzar as mais lentas de cima para baixo, ao que se seguiu a queda continuada da valorização $SPX.  
  • 01m23s Não é de todo isso que se observa no gráfico do $SPX dos dias de hoje. Com efeito, no presente momento (Julho de 2017), todas as médias móveis mencionadas têm um declive positivo (ascendente) e as médias móveis mais rápidas estão por cima das médias móveis mais lentas.
  • 02m41s Repetindo a análise anterior para o compósito do Nasdaq ($COMPQ), as conclusões são as mesmas.
  • 03m29s O Sr. Ciovacco recupera uma análise da largura das Bandas de Bollinger que ele fez em Novembro de 2016 para o gráfico mensal do $SPX entre 1982 e 2016. Nessa análise, o Sr. Ciovacco observou que o $SPX subiu durante longos períodos de tempo quando a largura das suas Bandas de Bollinger atingiu um mínimo (enfatizo: no gráfico mensal). Nessa altura, em Novembro de 2016, o Sr. Ciovacco previu que o $SPX deveria continuar a subir, porque a largura das Bandas de Bollinger do $SPX tinha atingido um novo mínimo.
  • 04m14s Actualizando o gráfico mensal do $SPX para os dias de hoje, verifica-se que a previsão do Sr. Ciovacco foi certeira! Melhor do que isso, a largura das Bandas de Bollinger do $SPX ainda tem muito espaço para subir e, com ela, a valorização do $SPX. Mais uma vez, tenho de advertir que estamos a falar de probabilidade de continuação das subidas a longo prazo (probabilidade ≠ possibilidade), não de certezas! Na bolsa, as únicas pessoas que têm certezas são os estúpidos... e os charlatães! 
  • 04m54s Segue-se uma análise muito interessante recorrendo a dois gráficos: (1) o da evolução da diferença entre os novos máximos e os novos mínimos do compósito da NYSE ($NYHL), também designado por 'market breadth' ou largura/amplitude de mercado e (2) o gráfico do $SPX. O Sr. Ciovacco começa por sobrepor estes dois gráficos em 2000 (bolha das dot com) e em 2007 (crise financeira). Em ambos os casos, 2000 e 2007, observava-se uma notória divergência entre a evolução do $NYHL e do $SPX...
  • 05m32s ...mas não é isso que se observa nos seus gráficos actuais. Apesar se observar uma certa saturação na evolução $NYHL, a sua evolução continua a ser positiva, tal como a evolução do $SPX.
  • 06m00s Agora vem um gráfico mensal do $SPX com as médias móveis de convergência e divergência (MACD). Já vimos este gráfico antes, mas o Sr. Ciovacco decidiu actualizá-lo. O ponto a reter é que os cruzamentos positivos do MACD mensal são eventos raros, mas excepcionalmente favoráveis para os investidores, porque tendem a ser seguidos por subidas prolongadas das cotações. Ora, foi precisamente um cruzamento positivo do MACD que ocorreu no final de 2016 e, desde então, o $SPX ainda não parou de subir. A festa poderá estar prestes a acabar mas, para já, ainda há sinais que indiquem isso.
  • 08m33s Repetindo o exercício anterior para o MACD mensal do rácio SPY:TLT (S&P 500 a dividir pelas obrigações do tesouro americano a 20+ anos), também não parece haver motivos de preocupação.
  • 11m44s O Sr. Ciovacco recupera aqui um gráfico do compósito da NYSE ($NYA) entre 1997 e 2017, sobre o qual ele desenhou duas caixas ou rectângulos de consolidação: (1) o primeiro, com 20 anos, enquadra o máximo pré-crise financeira de 2007-2008 com o mínimo pós crise financeira de 2007-2008; (2) o segundo, com cerca de 4 anos, enquadra o máximo observado desde a penetração do rectângulo anterior com o mínimo observado desde a penetração do rectângulo anterior. Vamos chamar ao primeiro rectângulo R20 e ao segundo rectângulo R4. Verifica-se que ambos R20 e R4 foram penetrados para cima e subsequentemente retestados com sucesso (i.e. o preço voltou a descer e a retestar o lado superior do rectângulo, para depois subir novamente). Mais importante do que isso, a penetração de R4, mais recente, parece ter sido feita com grande sucesso, com um reteste bem-sucedido e novos máximos a serem atingidos várias vezes ao longo dos últimos meses.
  • 14m29s Olhando para o gráfico mensal do $NYA desde 1965, parece legítimo argumentar que é possível que o compósito da NYSE continue a valorizar durante muitos anos, uma vez que saímos recentemente de uma zona de consolidação com quase 2 décadas, bastante semelhante àquela que se observou entre 1965 e 1982, que foi seguida por ganhos de 1008% ao longo dos 18 anos seguintes, i.e. entre 1982 e 2000.
  • 15m10s Outra forma de ver a coisa é olhar para o gráfico mensal do $NYA sobreposto à sua média móvel simples a 50 meses. No passado, quando o $NYA cruzou a mms(50) de cima para baixo, entrámos em Bear Market. Foi o que aconteceu em 2001 e em 2008. Por outro lado, houve alturas em que o $NYA desceu até à mms(50) mas ressaltou, i.e. voltou a subir, como por exemplo em 1984, em 1987, em 1991 e em 1994. Nesses casos, o $NYA continuou a subir durante anos! Ora, quando se olha para a situação presente (em 2017), parecemos estar precisamente perante um desses ressaltos, o que nos deve deixar optimistas quanto ao futuro (mas atenção, optimismo ≠ certeza ou, mais uma vez, probabilidade ≠ possibilidade).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (10)


    Os principais índices bolsistas norte-americanos passaram o mês de Junho a lateralizar, o que é bastante bom. Os mercados têm subido rápida e continuamente desde a eleição do Presidente Trump e, nestas coisas dos mercados, as subidas prolongadas tendem a traduzir-se em quedas pronunciadas. Por isso, mais vale fazer uma pausa de algumas semanas para depois retomar a tendência primária de subida do que continuar a subir em flecha para depois nos afundarmos como um prego na água.

    Faço notar que esta lateralização ainda tem o potencial para se transformar numa correcção. Todos os grandes índices dos EUA (S&P 500, Nasdaq 100, NYSE, Dow Jones Industrial Average) estão muito acima da sua média móvel simples a 40 semanas, o que dá muito espaço para quedas.



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 01m33s O Sr. Ciovacco começa o vídeo com um dos seus clássicos, a utilização de médias móveis de longo prazo e de gráficos históricos semanais do S&P 500 ($SPX) para avaliar o presente momento dos mercados bolsistas. Como habitual, os períodos históricos escolhidos são a "bolha das dot com" em 2000-2001 e a crise do mercado imobiliário de 2007-2008. O ponto a reter é que a situação presente não tem nada a ver com as duas anteriores, o que aponta para a probabilidade (mais uma vez enfatizo que probabilidade ≠ possibilidade) de continuação das subidas a longo prazo.
  • 03m12s A análise anterior é repetida para o Dow Jones Industrial Average ($INDU), mas desta vez o Sr. Ciovacco limita-se a comparar a situação actual com a situação em 2007. As conclusões são semelhantes às que foram retiradas no caso do $SPX.
  • 03m40s O mesmo sucede com o compósito do Nasdaq ($COMPQ).
  • 04m09s Olhando agora para o histórico do rácio entre o SPY e as obrigações a 20+ anos (TLT), observa-se que, em 2007, o SPY:TLT atingiu o seu pico antes de as acções começarem a cair. Por outras palavras, o SPY:TLT indicava que as obrigações estavam a ser preferidas pelos investidores em relação às acções, dois meses antes de o S&P 500 começar a cair. Comparando esse gráfico de 2007 com o presente, ainda não parece haver motivos para alarme.
  • 05m48s Já o rácio entre o $SPX e o seu índice de volatilidade ($VIX) tende a degradar-se muito antes de a valorização do S&P 500 cair. Foi precisamente isso que aconteceu em 2007, com o espoletar da crise financeira: o $SPX:$VIX caiu oito meses antes de o S&P 500 começar a cair. No entanto, a evolução recente do $SPX:$VIX é exactamente oposta à que se observava em 2007, o que aponta para a probabilidade  de continuação das subidas a longo prazo.
  • 07m01s Agora é a vez do rácio entre as empresas de pequena capitalização bolsista (small cap) e as obrigações a 20+ anos (TLT). Neste caso, o rácio IWM:TLT avisou que as coisas não estavam bem três meses antes de a valorização das small cap começar a cair. Mais uma vez, a situação presente do rácio IWM:TLT não se parece nada com a sua situação em 2007.
  • 08m00s Em 2007, o rácio entre os sector financeiro (XLF) as obrigações a 20+ anos (TLT) deu o sinal de alarme quatro meses antes de a valorização do S&P 500 atingir o topo. Actualmente, o rácio XLF:TLT ainda não inspira motivos de preocupação.
  • 08m51s Olhando para o mercado de acções em termos globais, através do fundo transaccionável VTI, também ainda não há motivos de preocupação.
  • 09m32s Repetindo os exercícios anteriores para o rácio SPY:GLD (S&P 500:Ouro), verifica-se que, em 2007, o SPY:GLD "avisou" que as acções iriam cair três meses antes e a valorização do S&P 500 atingir o seu ponto máximo. Olhando para o presente, o SPY:GLD ainda não indica que as acções estão prestes a cair. Pelo contrário, o SPY está a bater o GLD em quase 2%.
  • 10m43s As conclusões são semelhantes quando olhamos para o rácio QQQ:GLD (Nasdaq:Ouro) em 2007 e na actualidade.
  • 12m29s O Sr. Ciovacco retoma uma análise da evolução mensal do índice de força relativa (relative strenght index - RSI) do S&P500 ($SPX) que já tinha apresentado num dos seus vídeos anteriores. A parte mais importante deste gráfico é que, em 1985 e em 1995, o $SPX continuou a subir durante anos após o RSI entrar em território de "sobrecompra", i.e. RSI > 70%. Evidentemente, nada garante que isso se repita agora em 2017, mas mais uma vez há que considerar a diferença entre probabilidade e possibilidade. Todas as possibilidades estão em cima da mesa, mas a probabilidade aponta claramente para a continuação das subidas a longo prazo. O que nos leva ao próximo gráfico...
  • 13m37s Não se pense que, caso o cenário mais optimista se confirme, i.e. a continuação das subidas a longo prazo, tudo vá ser agradável, como um passeio no campo num belo dia ameno de Primavera. Nada disso, nos mercados bolsistas -como em tudo o que vale a pena na vida- nada se consegue sem sofrimento. Com efeito, o Sr. Ciovacco vai buscar o gráfico do $SPX a seguir ao evento de 1985 para ilustrar que, ao longo da subida que durou cerca de 580 dias, houve inúmeros períodos de recuo acentuado, um dos quais com uma desvalorização de 9,43%!
  • 14m02s O mesmo sucedeu a seguir ao evento de 1995 que, entre vários recuos de cotação significativos, teve um de 9,63%!
  • 16m30s E agora um exercício realmente interessante! Estando nós naquilo que poderá vir a revelar-se como uma correcção, até onde poderá recuar o gráfico diário do $SPX? Tomando como referência os casos de 1985 e 1995, o S&P 500 poderá recuar até aos 2240 pontos (fechou a sessão de sexta-feira nos 2425,18 pontos), sendo que há uma maior probabilidade de permanecer na zona acima dos 2340 pontos.

domingo, 2 de julho de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (9)


     Nunca falha: basta os mercados caírem alguns pontos percentuais para aparecerem logo os profetas do apocalipse a vaticinar o fim do Bull Market! Mas quem segue este blogue sabe que a presente correcção era esperada e até desejável. Aliás, o mais provável é que os principais índices bolsistas ainda caiam mais uns dias ou até semanas antes de voltarem a subir. Nesta vida, nada se ganha de uma forma linear... e um Bull Market saudável é como a sedução: dois passoa para a frente, um passo para trás! 😜



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:
  • 02m53s O Sr. Ciovacco recupera um interessante Q&A (perguntas e respostas) de um dos livros da famosa série "Market Wizards" (feiticeiros dos mercados). A pérola de sabedoria em causa é uma das realidades mais duras dos mercados mobiliários: para se obter grandes lucros na bolsa, é preciso aguentar períodos negativos e perdas de valorização bolsista significativas. Isto vem ao encontro das citações de Jesse Livermore aqui deixadas há três semanas que alertavam para  necessidade de não transaccionarmos constantemente durante um Bull Market, sob pena de provocarmos a erosão significativa dos nossos ganhos. É por isso que a bolsa não é para todos: é preciso ter estômago para ver o nosso dinheiro diminuir durante algum tempo... mas é isso que, paradoxalmente, o acabará por fazer subir a longo prazo.
  • 03m56s Voltando novamente ao gráfico anual do $COMPQ, podemos verificar que, desde Novembro de 1995, sempre que a média móvel simples a 10 meses se manteve acima da média móvel a 15 meses, o compósito do Nasdaq subiu, em especial no período a seguir ao cruzamento da mms(10) sobre  mms(15), de cima para baixo (1995 e 2003 e, mais importante, 2017).

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (6)


     Aqui fica o comentário semanal do Chris Ciovacco. A mensagem a reter é simples: os índices bolsistas poderão cair nos próximos dias ou até semanas mas, a longo prazo, a tendência é de continuação das subidas.


Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 00m26s O Sr. Ciovacco começa com um gráfico semanal do SP &500 ($SPX) em formato OHLC, actualizado para o fecho de mercado da última sexta-feira. Nesse gráfico, a barra correspondente à última semana abriu "em salto" ascendente (gap up) e manetve-se sempre acima dos níveis da semana anterior, algo que o Sr. Ciovacco considera ser um "fenómeno raro" e demomstrativo de uma ausência de pressão vendedora (jé eu, tendo a dar muito pouca importância a estas coisas dos "saltos"; o que me interessa realmente é o sentido da tendência primária).
  • 02m31s Passando para o gráfico mensal do compósito da NYSE ($NYA), o Sr. Ciovacco desenhou um rectângulo com 19 anos que parece ter sido penetrado (para cima) com sucesso desde a eleição do Presidente Trump.
  • 03m15s O Sr. Ciovacco desenhou outro  rectângulo no gráfico semanal do $NYA, desta feita de tres anos e alguns meses; também neste caso parece haver penetração, embora estejamos presentemente a assistir àquilo que parece ser um reteste do limite superior  do rectâmgulo
  • 04m24s Olhando agora para as médias móveis do gráfico diário do S&P 500, mais concretamente a média móvel simples a 50 dias e a média móvel simples a a 200 dias, pode ver-se que, não obstante algum perda de momento ascendente, o declive de ambas MMS e a distância entre elas ainda não inspiram preocupações de maior.
  • 05m36s Outrossim, a média móvel simples a 100 dias do gráfico diário do $SPX, pode ver-se uma consolidação de 15, 8 anos, seguida de uma penetração convincente que, para já, não nos dá motivos de preocupação.
  • 06m00s É possível ver, no MACD do gráfico mensal do $SPX, que o cruzamento "bullish" que se seguiu à eleição do Presidente Trump continua válido. O mesmo pode ser dito em relação ao TSI, à largura das Bandas de Bollinger e ao RSI.
  • 08m03s Sobrepondo agora a média móvel simples a 30 semanas, a média móvel simples a  40 semanas e a média móvel simples a 50 semanas (ainda para o $SPX), é possível verificar que todas elas têm um declive saudavelmente ascendente, com uma boa separação (distância) entre elas.
  • 14m46s Olhando para a média móvel simples a 100 dias, a média móvel simples a  200 dias e a média móvel simples a 300 dias (ainda para o $SPX), a probabilidade aponta para a continuação das subdias a longo prazo.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (4)


    Tenho de confessar que não esperava que os mercados bolsistas norte-americanos reagissem tão bem à vitória de Donald Trump. O S&P 500 ($SPX) fechou a semana nos 2294,69 pontos, bastante próximo do seu máximo histórico, 2300,99 pontos, registado no passado dia 26 de Janeiro. Os mé(r)dia avançam a explicação de que as promessas de desregulamentação da banca do Sr. Trump são as responsáveis pela subidas dos índices nos últimos dois meses. Eu cá não acredito em quase nada do que os mé(r)dia publicam, pelo que decidi ouvir a opinião do Sr. Ciovacco, já que ele tem acertado quase sempre nos últimos dois anos:



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 01m51s O Sr. Ciovacco começa por nos recordar algumas das várias previsões apocalípticas para a evolução dos índices bolsistas americanos nos dias que precederam as eleições presidenciais deste ano; o consenso geral era de que a vitória de Donald Trump iria despoletar uma forte correcção nos mercados, mas aconteceu precisamente o contrário. Tomem nota: aquilo que os mé(r)dia e os "gurus" nos dizem sobre os mercados interessa tanto para os nossos investimentos quanto a cor das cuecas da Cristina Ferreira; não, não estou a exagerar, em 99% dos casos, os mé(r)dia financeiros só dizem merda, sem ofensa para a merda!
  • 07m35s Recuperando o gráfico das três médias móveis simples semanais do S&P500 $SPX (30, 40 e 50 semanas) em meados de Outubro de 2016, era possível observar que todas elas apresentavam declives positivos e estavam empilhadas de uma forma bullish (médias móveis de curto prazo em cima das de longo prazo); em Dezembro de 2009, esta disposição mantinham-se, indicando que a vitória do Sr. Trump não tinha alterado essa perspectiva optimista dos mercados.
  • 08m48s Com efeito, verifica-se agora em Janeiro de 2017 que os sectores de investimento (finanças, indústria, bens de consumo, energia, tecnologia) valorizaram continuadamente desde Outubro, enquanto os sectores defensivos (ouro, prata, obrigações, imobiliário) desvalorizaram.
  • 09m19s Mas as coisas estão a tornar-se ainda mais interessantes. No gráfico do compósito da NYSE ($NYA), por exemplo, o Sr. Ciovacco desenhou uma caixa de consolidação (ou rectângulo) cujo início remonta  a Junho de 2013; essa caixa de consolidação foi penetrada para cima na sexta-feira passada e, embora seja necessário aguardar para termos as certeza que a penetração será bem-sucedida, o $NYA tem dado sucessivos sinais de força ascendente.
  • 10m28s Mas há mais! Há um segundo rectângulo, de ainda de mais longo prazo (remonta já ao ano de 2007, ou seja, antes da crise financeira) que também parece estar a ser penetrado! Além disso, tomando como referência o máximo do Bull Market pré-crise, temos um terceiro rectângulo de consolidação multianual de 19,6 anos... que também está a ser penetrado para cima! O Sr. Ciovacco diz que sito pode vir a ser "a mãe de todos os sinais".
  • 12m56s Também pode ver-se, recuando no gráfico mensal do $NYA até 1965, que houve um rectângulo multianual muito semelhante ao terceiro citado anteriormente, que durou 17 anos, entre 1965 e 1982. Ora, esse rectângulo multianual foi sucedido por uma forte subida do $NYA nos 18 anos seguintes, nada mais nada menos do que 1008%!!! Claro que nada garante que é isso que vai acontecer a seguir... mas essas possibilidade deve ser tida em conta.
  • 21m16s Este gráfico, que o Sr. Ciovacco constrói gradualmente ao longo do segundo terço deste vídeo, ilustra a forma como a média móvel simples a cinquenta semanas pode ser usada juntamente com o índice para identificar Bull Markets e Bear Markets.
  • 24m21s Este

domingo, 6 de novembro de 2016

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (3)


   Eis-nos finalmente chegados à semana das eleições presidenciais dos EUA! O mês de Outubro revelou-se bastante negativo para os principais índices bolsistas norte-americanos e para os fundos transaccionáveis (exchange-traded funds, ETF) que os replicam. As comentadeiras do mundo financeiro dizem que tal se deve à incerteza associada ao resultado destas eleições. Já o Sr. Ciovacco acha que pode não ser bem assim...



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 02m08s O compósito da NYSE ($NYA) encontra-se presentemente a cerca de 8% abaixo da valorização que tinha em Julho de 2014 e quase 9% abaixo do máxim registado na Primavera de 2015.
  • 02m34s Olhando para o gráfico semanal do S&P 500 ($SPX), é possível observar um suporte horizontal e outro diagonal. O horizontal, na casa dos 2025 pontos, cedeu. No entanto, ainda é possível que o suporte diagonal, algures nos 2000 pontos, se aguente. O Sr. Ciovacco menciona o facto de o índice de volatilidade do S&P 500 ($VIX) ter registado nove sessões consecutivas sempre a subir, algo que nunca tinha acontecido em toda a sua história. É um dado interessante em termos estatísticos, mas pouco útil para quem está em bolsa. Se Clinton vencer, o $VIX depressa se espalhará ao comprido.
  • 09m07s O Sr. Ciovacco recorre a um gráfico multianual do ouro ($GOLD) traçado desde 1997 para nos mostrar a importância da média móvel simples a 200 dias. Em geral, quando o preço do ouro cruzou a MMS(200), ficou definida uma nova tendência primária, ascendente ou descendente. A partir de 2002, um desses cruzamentos deu o arranque do longo Bull Market do Ouro, que durou até 2011. De modo inverso, o cruzamento de 2013 deu início ao actual Bear Market no ouro.
  • 15m53s Olhando para as acções globais (ACWI), verifica-se que o recuo da cotação ainda está acima do segundo nível da retracção Fibonacci (50%) desde o mínimo do Brexit até ao máximo de Setembro, sendo por isso considerado normal. Outrossim, o preço do ACWI ultrapassou a MMS(200) e manteve-se acima dela, com o declive da MMS(200) a mudar de descendente para ascendente.
  • 17m16s A situação é muito semelhante no caso da prata (SLV).
  • 18m23s E também no caso do Dow Jones Industrial Average (DIA).
  • 21m01s A longo prazo, as obrigações do tesouro americano a médio prazo (IEF) continuam em clara tendência primária de subida, traduzindo a expectativa, por parte dos investidores, de um aumento das taxas de juro por parte do banco central.
  • 24m35s No fundo mútuo RYAIX a situação é semelhante à da semana passada. Chamo no entanto a atenção para um aspecto que o Sr. Ciovacco não menciona (nem mostra no vídeo), que é o facto de a média móvel simples a 50 dias ter sido ultrapassada pelo preço do RYAIX e ter neste momento um declive ascendente.
  • 26m24s Já nas obrigações a longo prazo (TLT), houve para já um ressalto numa linha de tendência ascendente (LTA) multianual.
  • 31m30s Um ponto interessante, do ponto de vista da Análise Fundamental, é o facto de as vendas a retalho terem continuado a crescer durante o período recente em que o S&P 500 estagnou. Se a isto juntarmos o facto de que os níveis de empregabilidade nos EUA se encontram em máximos históricos, ao mesmo tempo que os salários têm crescido sustentadamente e a dívida dos consumidores tem decrescido, torna-se difícil argumentar a favor da iminência de uma recessão, pelo menos para já.

domingo, 30 de outubro de 2016

Mercados americanos: o comentário semanal de Chris Ciovacco (2)


   «Será que o mercado se está a preparar para um mergulho a seguir as eleições?» é o título do vídeo que o Sr. Ciovacco nos oferece esta semana. A meu ver, demasiado sensacionalista, mas a possibilidade é real, sobretudo no caso de um vitória do Donald Trump. A concretizar-se, será uma espécie de "efeito Brexit" nos EUA, que eu duvido que dure mais do que algumas semanas, se tanto. Tal com as quedas da bolsa inglesa a seguir ao Brexit, uma vitória do Sr. Trump dificilmente arrastará os mercados para baixo durante muito tempo.



Pontos de interesse do vídeo do Sr. Ciovacco:

  • 00m47s O Sr. Ciovacco começa o vídeo de uma forma muito pouco habitual, olhando para um fundo mútuo, não para uma acção ou para um fundo transaccionável (ETF). Ainda por cima, o fundo mútuo em causa é o RYAIX (Rydex Inverse Nasdaq-100), um fundo inverso, que replica o Nasdaq 100 no sentido contrário ao do índice, i.e. se o Nasdaq 100 sobe, o RYAIX desce e vice-versa. Começando para olhar para o período entre 1999 e 2001 ("bolha das dot com"), o Sr. Ciovacco mostra-nos como a média móvel simples a 200 dias do RYAIX inverteu para cima em Novembro de 2000, anunciando um período em que apostar na queda do Nasdaq 100 se revelou proveitosa: o compóisto do Nasdaq ($COMPQ) caiu 62% desde essa inversão da MMS(200).
  • 02m13s O exercício é depois repetido para o período entre 2002 e 2003. Neste caso, a situação é ao revés: a MMS(200) do RYAIX inverteu para baixo em Março de 2003, com o compósito do Nasdaq a subir a partir de então.
  • 02m58s Já em 2007-2009, verficou-se novamente uma inversão para cima da MMS(200) do RYAIX, desta feita em Janeiro de 2008. A partir daí, o $COMPQ caiu mais 45%, com o S&P 500 a acompanhar e a cair 49%!
  • 03m39s Quando os índices bolsistas atingiram o ponto mais baixo a seguir à crise financeira de 2007-2008, a MMS(200) do RYAIX inverteu para baixo, em Julho de 2009, marcando o arranque do presente Bull Market.
  • 04m51s Olhando agora para um gráfico recente do RYAIX (27-Out-2016), verifica-se que o declive da MMS(200) está claramente negativo, tendo inclusivametne ocorrido um acentuar dessa negatividade nas últimas semanas. Ou seja, só um maluquinho é que apostaria na subida do RYAIX (ou na queda do Nasdaq) com a MMS(200) do RYAIX neste estado.
  • 06m12s Olhando agora para um gráfico mensal do S&P 500 ($SPX), o Sr. Ciovacco recupera o grande rectângulo multimensal que vigorou entre meados de 2014 e meados de 2016, para nos mostrar que o lado superior do rectângulo, outrora resistência (2100-2130 pts), ainda poderá funcionar como suporte, caso as quedas do $SPX continuem.
  • 06m51s O mesmo se verifica no caso do gráfico mensal do compósito do Nasdaq ($COMPQ) e no Dow Jones Industrial Average ($INDU), embora, no segundo caso, o índice esteja muito próximo da anterior zona de resistência.
  • 07m13s O sector financeiro europeu ($E1FIN) ainda não recuperou das quedas que se seguiram ao Brexit (ao contrário da bolsa londrina, que fez um máximo histórico no último dia 11, não é curioso?).  Ainda assim, o $E1FIN fechou bem acima do primeiro nível (61,8%) da retracção de Fobinacci correspondente ao Brexit.
  • 07m51s O compósito da NYSE ($NYA) também ainda não recuperou das quedas, não desde o Brexit, mas desde Maio de 2015. Traçando uma retracção de Fibonacci desde o início até ao fim das quedas (pontos A e B no gráfico), é possível verificar que o $NYA fechou mesmo em cima dos 61,8%. De referir que o $NYA ainda também abaixo do seu máximo histórico pré-crise financeira, registado em 2007.
  • 08m44s Comparando o desempenho dass acções com o das obrigações do tesouro americano ($NYA:TLT), parece ter sido quebrada, no gráfico semanal do rácio, uma linha de tendência descendente (LTD) que remontava a meados de 2015.
  • 09m02s No seu gráfico diário, o S&P 500 ($SPX) está mesmo em cima do limite superior de um canal de transacção multianual (nos tais 2125 pts que tenho vindo a mencionar há já dois meses). Há também outras zonas de potencial suporte até aos 2100 pontos.
  • 09m41s Olhando agora para o gráfico mensal do $SPX, o Sr. Ciovacco faz um exercício muito interessnte com o indicador Bollinger Band With (Largura das Bandas de Bollinger - BB). Conforme o próprio nome indica, este indicador traduz a diferença percentual entre a BB superior e a BB inferior, dando uma ideia da volatilidade actual de um título ou índice bolsista. Historicamente, os períodos em que a Largura das Bandas de Bollinger do S&P 500 estava muito baixa foram seguidos por subidas do índic que duraram vários meses, nalguns casos até anos: 1985, 1995 e 2005. Ora, a Largura das Bandas de Bollinger do S&P 500 está novamente em níveis muito baixos em 2016. O Sr. Ciovacco acredita por isso que as probabilidades favorecem a continuação das subidas no $SPX, ressalvando, no entanto, que na bolsa nunca há certezas.
  • 11m23s No gráfico semanal do $SPX pode ver-se que o índice fechou ligeiramente abaixo da aresta superior do rectângulo de consolidação multianual que vigorou nos últimos 2 anos, mas ainda acima do canal de transacção identificado no gráfico diário (09m02s) e também acima de todos os níveis de retracção de Fibonacci traçados desde o Brexit até ao máximo histórico de Agosto deste ano. Outrossim, as médias móveis simples de longo prazo (30, 40 e 50 semanas) mantêm um declive ascendente.
  • 15m18s O Dow Jones Transportation Average (DJTA), parece ter sido penetrada uma resistência diagonal multimensal que remotava ao início de Agosto de 2015. Melhor do que isso, essa resistência passou, para já, a suporte. O mesmo sucedeu no caso do petróleo ($WTIC) e do principal índice bolsista alemão, o $DAX. Além disso, o gráfico semanal do $WTIC mostra uma divergência positiva entre a acção de preços e o RSI, sugerindo a continuação das subidas a longo prazo.
  • 17m46s No que respeita às empresas de pequena capitalização bolsista (small cap), parece estar a haver um reteste da zona de suporte algures nos $117,5. Curiosamente o índice das matérias primas ($CRB) penetrou a sua média móvel a 200 dias em Maio e tem-se mantido acima dela desde então. O Sr. Ciovacco relembra que as subidas sustentadas do $CRB reflectem a expectativa, por parte dos investidores, do aumento da inflação.