terça-feira, 22 de dezembro de 2015

S&P 500 ($SPX e SPY), diário e intradiário


     Quem olhasse para a vela japonesa formada hoje no SPY sem considerar mais nada, diria que tivémos uma sessão interessante. O fundo transaccionável que mais bem replica o S&P 500 ETF reagiu muito bem à zona de suporte entre os $197,5 e os $200 (a verde no gráfico) e formou aquilo que muito considerariam ser um "Martelo", um vela que indica o fim das quedas recentes e o início de novas subidas a curto/médio prazo.



Mas este é o grande problema de olhar apenas para os ETFs que replicam os índices. Vejam só o que aconteceu no verdadeiro índice, o $SPX:



Para aqueles que eventualmente não tenham percebido o que eu quero salientar, dou-vos mais uma pista: a duração da sessão de hoje teve a duração habitual, seis horas e meia. Não foi uma sessão mais curta do que o habitual, ao contrário da sessão de 27 de Novemebro, em que o mercado só esteve aberto durante a manhã. Então? Já perceberam? É isso mesmo: o volume transaccionado praticamente desapareceu!

Mas há mais: olhe-se para o gráfico intradiário do SPY (30 em 30 minutos) e facilmente se concluirá que o viés de curto/médio prazo continua fortemente negativo. A média móvel simples a 5 dias continua com um declive descendente. E até à zona de resistência crítica, entre os $210 e os $211, ainda há um longo caminho a percorrer!


Moral da história? Conforme tenho dito recentemente, o melhor é continuarmos bem quietinhos e esperarmos pacientemente que o preço saia daquela zona amarela.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

S&P 500: a análise semanal de Greg Harmon (11)


Esta análise de Greg Harmon que traduzi de forma aproximada e vos apresento a seguir é relativa à semana entre Segunda-feira, 14  e Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015. As percentagens de ganho/perda apresentadas dizem respeito a toda a semana. A previsão final é para a próxima semana de 21 a 25 de Dezembro de 2015.

«A semana desenrolou-se com o preço do ouro [$XAU, GDX, GLD] a continuar a descer  [$XAU -6,05%, GDX -5,18%, GLD -1,04%]. Embora o West Texas Intermediate [$WTIC] tenha fechado positivo [$WTIC +1,33%], os ETF que seguem o preço do petróleo [USO, USL, OIL] terminaram a semana em queda [USO -3,70%, USL -3,54%, OIL -4,38%].  

Já o dólar americano [$USD, UUP] subiu ligeiramente [$USD +1,21%, UUP +1,10%], enquanto as obrigações do tesouro americano a 20+ anos [TLT] rejeitaram os mínimos do início da semana [TLT -0,43%] e estão praticamente inalteradas em termos anuais.

O compósito de Xangai [$SSEC, ASHR, PEK] encontrou suporte e ressaltou [$SSEC +4,20%, ASHR +6,70%, PEK +5,35%]assim como os mercados emergentes [EEM +3,49%].

A volatilidade [$VIX, VXX] começou a semana nas alutras e desceu um pouco, mas ainda está elevada [$VIX -15,13%, VXX -6,65%].

[N.B. Aqui fica também o gráfico semanal; repare-se nos cruzamentos que, no PPO antecedem, os mínimos de Outubro de 2014 e Agosto de 2015]



O fundos transaccionáveis (exchange-traded funds, ETF) que seguem os principais índices começaram a semana bem, mas acabaram por cair nas sessões de quinta-feira e de sexta-feira. O SPY, o IWM e o QQQ terminaram a semana negativos. 

O que é que isto significa para a próxima semana? Vamos olhar para os gráficos do SPY, começando pelo diário:


O SPY começou a semana com uma vela de reversão em Martelo ("Hammer"), levando o preço de volta à Banda de Bollinger infeiror. O Martelo foi confirmado na terça-feira, mas com uma "spinning top" [N.B. eu por acaso discordo, acho que é uma "long-legged doji"], indicando indecisão. Mas tudo parecia correr pelo melhor quando, na quarta-feira, o índice voltou a deslocar-se para cima. Mas a "bearish Marubozu" de quinta-feira acabou com as boas notícias e o "gap" para baixo na sexta-feira deu origem a outra "bearish Marubozu", com o preço a fechar bem abaixo da Banda de Bollinger inferior, próximo do mínimo da semana, practicamente nos $200.

Esta acção de preços poderá levar a um ressalto no início da próxima semana, mas a tendência geral parece ser descendente. O RSI está em queda e em plena zona "bearish", enquanto o MACD continua a afundar com as médias móveis exponenciais já em território negativo, o que sugere mais quedas nas próximas sessões.

Também o gráfico semanal do SPY aponta nesse sentido, com o preço a retroceder até á média móvel a 100 semanas:

 O volume voltou a subir durante as quedas e ambos RSI e MACD estão a cair. Há suporte entre os $200 e os $199, seguido pelos $197 e os $195. Já as resistências vêm aos $202 e aos $204,6, seguidas pelos $206,6.


Previsão geral para a próxima semana: continuação do movimento descendente.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Mercados americanos: a análise semanal de Brian Shannon (54)


   Eu não dizia? Enquanto o SPY não superasse convincentemente a zona de resistência entre os $210 e os $211, o mais provável seria regressarmos às quedas! E elas aí estão, certinhas como a chuva! Há quem diga que a Análise Técnica "não passa de astrologia financeira" (gente imbecil, evidentemente)... mas, ao longo dos anos, eu aprendi -por vezes à custa de perdas financeiras- que uma resistência multimensal num índice bolsista é uma barreira que exige o máximo respeito, seja em que mercado for!

   O ponto da situação é o seguinte: em termos anuais (year-to-date, YTD) e com a honrosa excepção do Nasdaq 100 [QQQ +6,37% YTD], todos os principais índices americanos estão em território negativo! Aqui ficam os números: S&P 500 [SPY -2,69% YTD], Russell 2000 [IWM -6,80% YTD], Dow Jones Industrial Average [DIA -3,87% YTD], Sector Imobiliário  [IYR -3,18% YTD], Sector dos Transportes [IYT -19,33% YTD], Sector Financeiro [XLF -5,78% YTD] Ouro [GLD -10,16% YTD], Petróleo [USO -47,54% YTD], Sector Energético [XLE, -25,73% YTD].

  Vamos ouvir o que o grande Brian Shannon, o melhor analista técnico presentemente no YouTube, pensa acerca disto:



  • Pontos-chave do vídeo do Sr. Shannon:
Modo actual: bearish (descendente); tudo indica que vamos ter uma correcção nas próximas sessões.

[00m36s]: o S&P 500 (SPY) desceu novamente até à zona dos $200, onde se encontra presentemente a  Média de Preços Ponderada por Volume (Volume Weighted Average Price -VWAP), medida desde os mínimos de 24 de Agosto. O Sr. Shannon é peremptório: «neste momento, temos que olhar para o S&P 500 como culpado até que demonstre ser inocente»! Com efeito, o SPY está debaixo da sua média móvel a cinco dias que, ainda por cima, tem um declive fortemente descendente. no gráfico abaixo, o Sr. Shannon faz um cálculo dos níveis de Fibonacci a partir do mínimo de Agosto e do máximo de Outubro, no qual se pode ver que já descemos até aos 38,2% e, caso desçamos até aos 50%, ficaremos ligeiramente abaixo dos $180.

O Sr. Shannon acha que o SPY precisa de regressar à zona entre os $202 e os $204 o mais depressa possível, sob pena de virmos a ter uma forte correcção no início de 2016. Eu estou igualmente pessimista.

[04m24s]: o Nasdaq 100 (QQQ) desceu até à sua Média de Preços Ponderada por Volume (desde o mínimo de Setembro), mas dificilmente ficará por aí, uma vez que a Média de Preços Ponderada por Volume (desde o mínimo de Agosto) se encontra bastante abaixo, nos $107,43.

[05m46s]: o Russell 2000 (IWM) é o índice que, presentemente, mais preocupa o Sr. Shannon. O índice tem mostrado grande fraqueza relativa nas últimas semanas e não conseguiu acompanhar os outros índices na recuperação das quedas de Agosto. O Sr. Shannon acha que o nível de preço mais importante para a próxima semana se situa nos $115, por ter um enorme potencial para se constituir como resistência.

[08m02s]: os semicondutores (SMH) estão a aguentar bem melhor do que seria de esperar tendo em conta a correcção brutal que tiveram entre Maio e Agosto. É preciso enfatizar no entanto que este sector se encontra, à semelhança de praticamente todo o mercado, em modo de correcção. O Sr. Shannon acha que o nível de suporte a vigir se encontra na casa dos $53.

[08m39s]: as biotecnológicas (IBB) são dos pouco títulos que ainda se encontram acima da sua média móvel a cinco dias. Nos últimos dois meses, este fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) tem andado a oscilar entre os $320 e os $340. Como o preço do IBB se encontra presentemente a meio desse intervalo, o Sr. Shannon diz-se "neutral" em relação às biotecnológicas. Já eu, estou pessimista, sobretudo a longo prazo (semanas).

[10m35s]: a Apple, inc. (AAPL: Nasdaq GS) está negativa em termos anuais [AAPL -3,94% YTD]. A esse propósito, o Sr. Shannon salienta: «Não há nenhuma acção que seja imune às forças cíclicas dos mercados!». No gráfico diário, a Média de Preços Ponderada por Volume (desde o mínimo de Agosto) foi convincentemente quebrada. O Sr. Shannon acha que podemos ter um ressalto no 1º nível de Fibonacci (61,8%), traçado desde o mínimo de Agosto até ao máximo de Novembro, algures nos $105. Mas a tendência de evolução da AAPL a médio prazo (alguns dias a algumas semanas) é decididamente bearish (negativa).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ainda sobre a queda continuada do petróleo... (2)


  Aqui fica um gráfico bastante interessante sobre os custos de produção do barril de crude nos diversos países produtores:

   
     De acordo com estes dados, compilados pela Rystad Energy, o custo de produção do barril de crude é de $17,2 /barril na Rússia... e de $9,9 /barril na Arábia Saudita. A Arábia Saudita possui 15,7% das reservas de crude do mundo. A Rússia tem 6,1%, embora tenham sido descobertas algumas reservas no Círuclo Polar Ártico que ainda estão por explorar e que podem fazer subir esta percentagem.

Já a Venezuela possuia, em 2014, 17,5% das reservas mundiais provadas, de acordo com um estudo conduzido pela BP (BP). O custo do "break even" (ponto a partir do qual se torna rentável) rondará os $23,5 /barril. O Irão e o Iraque têm, respectivamente, custos de produção de $12,6 /barril e $10,6 /barril. O Cuvaite tem o custo de produção mais baixo de todos, $8,5 /barril. Nos Emirados Árabes Unidos, o custo de de produção é de $12,3 /barril.

Quando se olha para a América do Norte, os custos de produção aumentam de forma dramática: $36,2 /barril para os EUA e $41 /barril para o Canadá. O gráfico em baixo mostra o custo relativo da dívida para os vários compontes do maior fundo transaccionável ligado à energia nos EUA, o Energy Select Sector SPDR (XLE:NYSE):


    Pode ver-se que a extracção, a produção e o transporte representam presentemente a maior fatia da dívida das empresas ligadas aos combustíveis fósseis.

Olhando para os dois gráficos (custos de produção dos países e endividamente das energéticas americanas) rapidamente se conclui quem é que está a beneficiar com a queda dos preços do "ouro negro".

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Ver também:

Ainda sobre a queda continuada do petróleo...
O petróleo volta a afundar...

O sector dos transportes continua a afundar...


    Está a ficar realmente feia, a situação no sector dos transporrtes. no gráfico semanal, o $TRAN (Dow Jones Transportation Average) fechou abaixo da média móvel a 40 semanas em Maio e não mais voltou a conseguir superá-la. E como se isso não fosse suficientemente grave, o índice está a fazer um claro padrão de máximos e mínimos consecutivamente mais baixos, já desde Novembro e 2014!



Desde então, o TRAN já perdeu cerca de 18% do seu valor... e as más notícias podem vão ficar por aqui. Vejam só este gráfico da autoria de Chris Kimble, analista técnico fundador da Kimble Charting Solutions (clicar para aumentar o tamanho):



Sim, é mesmo verdade, o $TRAN está na iminência de quebar uma zona de suporte multi-anual, regresando ao canal azul que remonta aos anos 90 do século passado! É claro que estas coisas têm sempre um significado relativo e não podem ser levadas a sério sem considerar outros indicadores. Mas a verdade é que o S&P 500 ($SPX), o Dow Jones Industrial Average ($INDU) e o compósito de Nova Iorque ($NYA) não atingem novos máximos desde Maio... e o Russell 2000 ($RUT) desde Junho. 

A confirmar-se esta quebra de suporte nos transportes, à qual se soma o "rate hike" de ontem (ainda que tenha sido pouco mais do que simbólico), a situação nos mercados americanos pode ficar muito complicada para os investidores. Eu volto a repetir: enquanto o $SPX não atravessar convincentemente a zona entre os 2100 e os 2130 pontos, mantedo-se depois acima dela (resistência passa a suporte), eu continuarei fora dos mercados americanos. Há demasiados sinais de aviso neste momento para que o risco valha a pena. E este, o dos transportes, é de longe o maior de todos neste momento.

Alea iacta est


    A FED cumpriu as espectativas e subiu mesmo a taxas de juro! Ouçam só a explicações da Presidente da Reserva Federal, Janet Yellen... mas não se fiquem muito surpreendidos se não ficarem convencidos! A taxa de juro foi fixada nuns assombrosos... 0,5%! Não riam, pá! É melhor do que nada!


Seja como for, a subida das taxas de juro parece ter sido suficente para animar os mercados, pelo menos, por agora. No gráfico diário do SPY, temos três velas bastante interessantes, não apenas pela subida que representam mas também pela rejeição de mínimos:


Aquela região que pintei a cor amarela corresponde à presente zona a vigiar que pode vir a confirmar-se como "bullish flag", uma figura gráfica de continuação da tendência ascendente. Estou convencido que a verdaeira acção só ocorrerá quando o preço estiver fora dessa zona.

Volto a salientar, no entanto, que até à zona de resistência a penetrar se situa entre os $210 e os $212,5 (ver gráfico semanal do $SPX no postal anterior) nada é garantido. A verdadeira batalha, que se tem arrastado já desde Fevereiro de 2015, será travada lá, partindo do princípio que o preço do SPY continua a subir.

Vale ainda a pena olhar para o que está a acontecer no gráfico intradiário (30 em 30 minutos):



Ontem (terça-feira) o preço subiu acima da média móvel a 5 dias -MM(65)- e conseguiu manter-se acima dela até ao final da sessão de hoje. Isto fez co que o declive da média móvel a 5 dias passasse a ser horizontal, com um viés tendencialmente positivo. O que quer isto dizer? Para já, nada, é preciso esperar mais um pouco e ver o que acontece amanhã. Vamos ver se o preço consegue sair da zona amarela ou não...

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Sobre a provável subida das taxas de juro nos EUA


     Em terras do Tio Sam, quase todos acreditam que é desta: a Reserva Federal deverá subir as taxas de juro pela primeira vez desde 2006. A concretizar-se o famigerado "rate hike", muitos verão na subida a prova acabada de que recuperação económica dos EUA é uma realidade. Para outros, incluindo aqui o vosso blogueiro, qualquer subida das taxas de juro neste momento será um acto de mera propaganda política. 

    As próximas presidencias serão realizadas no dia 8 de Novembro de 2016. Para que Hillary Clinton possa derrotar o seu adversário republicano sem sobressaltos, é necessário a Administração Obama deixe o poder na mó de cima. Não há melhor forma de o conseguir do que dar a impressão que a economia dos EUA recuperou.


     O último ciclo de subidas da taxa de juro teve lugar entre 30 de Junho de 2004 e 29 de Junho de 2006. A seguir veio a crise do subprime, a falência do Lehman Brothers e a crise financeira de 2007-2008. A FED respondeu com três programas de facilitação quantitativa (quantitative easing - QE) e com a descida gradual das taxas de juro até aos presentes 0,125%. Isto provocou a subida dos mercados bolsistas americanos, tendo o presente Bull Market cumprido 6 anos.

    Apesar do Velho Touro ter tido um 2015 para esquecer, os investidores e especuladores norte-americanos estão mesmo convencidos que é mesmo desta, conforme ilustra este gráfico da Bloomberg. Cerca de dois terços acreditam que a FED vai mesmo subir as taxas:


 
   Para as pessoas que investem em acções americanas, a questão que se coloca agora é de que forma é que a subida das taxa vai afectar o desempenho dos mercados bolsistas. A verdade é que é muito difícil prever o que poderá acontecer. Na última reunião da FED, esperava-se o "rate hike", mas o recuo do banco central fez com que as bolsas afundassem durante o último mês Agosto. Desta vez, nada nos garante que a história não se vai repetir, mesmo com "rate hike". Basta apenas que a subida da taxa de juro seja mínima, como eu espero que seja, para que os investidores e especuladores interpretem a atitude da Reserva Federal como uma farsa.

   Eu já decidi: quando se olha para um gráfico do S&P 500 ($SPX), vê-se muito claramente que há uma zona de resistência multi-mensal na entre os 2100 e os 2130 pontos (ver gráfico mais abaixo). Enquanto o preço não tiver penetrado esta zona de forma convincente, i.e. atravessando-a e mantedo-se acima dela (resistência passa a suporte), eu vou continuar de fora. Investir na presente conjuntura é demasiado arriscado, pelo menos para mim.