segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

S&P 500 (via SPY), gráficos diário e "Shannon", 12-Jan-2015


Começou mal, esta semana nos mercados americanos. Os índices principais voltaram a recuar numa altura em que até pareciam estar a recuperar. Nada de grave, por enquanto. Os mercados bolsistas são mesmo assim, dois passos para a frente, um passo para trás. E quem tem nervos para aguentar dias como este acaba sempre por fazer dinheiro a longo prazo.

Para fazermos o ponto da situação, vamos olhar para o gráfico diário do fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) SPDRs S&P 500 (SPY:NYSE):



Pode ver-se que a tendência de curto prazo do SPY é descendente, não obstante a rejeição de mínimos observada hoje. É possível que o ETF continue a recuar amanhã até à zona amarela, que serviu de suporte já por duas vezes, no dia 17 de Dezembro e no dia 3 de Janeiro. Claro que nos mercados nunca nada é garantido e também há a possibilidade de continuarmos a descer a partir dessa zona, ou até à MM(200), ou um pouco mais abaixo ($190-$192). Mais abaixo do que isso ja me parece difícil porque a MM(40) do semanal está presentemente nos $195,93. Mas volto a sublinhar, nos mercados, nada é garantido.

A boa notícia é que há uma ligeira divergência entre as duas componentes do PPO (a diferença entre a MME(12) e a MME(26), a preto e o sinal definido pela MME(9), a vermelho) e o histograma (a azul). Por outro lado, o volume transaccionado continua em queda e o CMF ainda recomenda ficar de fora, com duas importantes linhas de tendência descendente (LTD) por quebrar.

Agora vamos olhar para o SPY através de um daqueles gráficos de 30 em 30 minutos de que o Sr. Brian Shannon tanto gosta:


Neste horizonte temporal, as coisas já não parecem assim tão negras! Em primeiro lugar, a média móvel a cinco dias -MM(65)- está ascendente, o que é um sinal positivo. Depois, temos um cruzamento ascendente no MACD, outro sinal positivo. E finalmente, existe um suporte na casa dos $202 que se aguentou bastante bem na sessão de hoje.

Claro que ainda é preciso que o SPY volte a ultrapassar a média móvel a cinco dias e que, idealmente, regresse à zona dos $208 onde esbarrou no início de Janeiro. Até isso acontecer, eu fico de fora.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Dow Jones Transportation Average, gráfico diário (via Greg Harmon), 9-Jan-2015


Já desde o dia 5 de Outubro de 2014 que não olhamos para um gráfico do DJTA aqui no AnB, portanto está na hora de voltarmos a fazê-lo, aproveitando uma análise do Sr. Greg Harmon.

A maioria dos analistas e comentadores dos mercados financeiros contemporâneos exclui o DJTA das suas análises porque este índice, o mais antigo índice bolsista dos EUA que foi criado em 1884 pelo mítico Charles Dow, está supostamente ultrapassado (assim reza a sabedoria convencional dos mercados). Mas eu discordo, pelo motivo que já indiquei várias vezes aqui no AnB: de acordo com a venerável Teoria de Dow, os ganhos das empresas de transportes têm um impacto directo na saúde dos Bull Markets. Mais concretamente, se as empresas de transportes estão a aumentar os seus lucros, então é porque há cada vez mais passageiros e mercadorias para transportar e, concomitantemente, a economia está a crescer.

O DJTA já não traduz esta relação entre as transportadoras e o resto das cotadas em mercado  tão fielmente como outrora, uma vez que muitas das grandes companhias aéreas e ferroviárias dos states já não fazem parte do índice. Mas, ainda assim, o DJTA continua a dar uma boa ideia do estado geral da bolsa e da tendência do mercado. Se o DJTA começar a marcar passo, é sinal de que algo não está bem e é preciso redobrar a atenção às cotações.

Mais vos digo: aqui o vosso blogueiro continua a temporizar a sua entrada e saída nos Bull Markets americanos com base na venerável Teoria de Dow. Sim, também uso outras coisas, análise fundamental, médias móveis, indicadores técnicos, padrões gráficos, etc. Mas, por incrivelmente que pareça, a Teoria de Dow ainda reina suprema no minha forma de estar em bolsa. E em quase 10 anos de bolsa, só me f*** uma vez, em 2008, quando pus momentaneamente a Teoria de Dow de parte.

A Teoria de Dow é bastante simples: na sua versão inicial, estabelece que os dois índices principais da época em que o seu criador viveu, o DJTA (transportes) e o DJIA (indústria), deviam subir ou cair simultaneamente para que estivéssemos em Bull ou em Bear Market. A simultaneidade era absolutamente imprescindível: só quando os dois índices subirem ou caírem é que temos uma tendência primária definida.

Ora, em pleno séc. XXI, o DJTA e o DJIA já não bastam. Por isso é que eu uso os quatro índices principais, S&P500, Nasdaq 100, DJIA e Russell 2000 ... mais o "desactualizado" DJTA. porquê? Porque há situações em que a crise econíómica começa por fazer-se sentir nas transportadoras e só depois se estende aos quatro grandes índices. Na era do crédito sem limites isto pode parecer impossível, mas já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer no futuro. Portanto, o DJTA continua a ser um indicador de referência para a saúde da economia em geral e dos mercados em particular.

O Sr. Harmon começa por nos dizer que vivemos tempos muito excitantes no DJTA e mostra-nos este gráfico:



E prossegue em seguida: «O gráfico do Dow Jones Transportation Average evidencia um fenómeno muito interessante. Podem ver-se várias coisas positivas. Há dois ressaltos na MM(100), com um mínimo mais alto (mantenham isto em mente). Depois veio a confirmação da vela "Harami" de Quarta-feira. O RSI e o MACD estão a virar para cima. Mas provavelmente não reconhecerão a Reversão Positiva do RSI.

Esta reversão ocorre quando o RSI faz um mínimo mais baixo, mas o preço ou índice não faz um mínimo mais baixo. Então, ambos revertem para cima. Este padrão indicia um novo teste do índice à zona do anterior máximo ou até mais alto. Para o gráfico acima, o máximo anterior foi dos 8580,81 até aos 9257,44 ou seja 676,63 pontos. Portanto, agora poderemos vir a passar dos 8659,40 aos 9336,03 pontos.

Isto é significativo porque indicia que poderemos vir a ter em breve um novo máximo no índice dos transportes. Se a indústria (DJIA) corresponder, teremos uma nova confirmação da Teoria de Dow. E a renovação da tendência primária ascendente dos mercados."»

Sempre interessantes, as análises do Sr. Harmon! A propósito, o DJTA não é transaccionável, uma vez que se trata de um índice, i.e. uma média pesada das acções que o constituem. No entanto, os meus leitores podem fazer como eu e recorrer ao fundo transaccionável (exchange-traded fund, ETF) iShares DJ Transportation Index Average Fund (IYT:NYSE, ISIN: US4642871929), que tem uma liquidez bastante razoável e replica o DJTA com uma boa fidelidade.

Mercados americanos: a análise semanal de Brian Shannon (25)


É Sexta-feira! O que significa que hoje é dia de copos! E ainda melhor do que isso, é dia de Brian Shannon! A vida é bela!

  • Pontos-chave do vídeo desta semana:
Modo actual: tendencialmente bullish, mas a precisar de confirmação; não convém abrir novas posições por enquanto.

[00m54s]: o Sr. Shannon começa o vídeo com uma piada acerca do ouro, cujo preço parece estar a ganhar força justamente quando ele deixou de o seguir nas suas análises. "Agora já podem acusar-me de ser o indicador contrário do ouro", graceja Shannon; aqui o vosso blogueiro acha que ainda é muito cedo para falar em recuperação do metal precioso; todas as médias móveis de longo prazo ainda estão negativas e há uma resistência muito importante para vencer na casa dos $120; e mesmo depois disso tudo, há uma LTD para quebrar na casa dos $125; 

[02m24s]: depois de ter aberto a sessão de Quinta-feira em "gap", o S&P500 (SPY) voltou a testar a zona de suporte na casa dos $204-$204,25, sendo agora possível que recue um pouco mais; nesta situação, seria desejável que o suporte na casa dos $202,5-$203 aguentasse;

[03m32s]: no Nasdaq 100 (QQQ), a zona de suporte a vigiar situa-se entre os $101,5 e os $102; se o índice descer abaixo dos $100, ficamos numa situação "muito feita" (palavras literais do Sr. Shannon), porque passamos a ter um padrão de mínimos e máximos mais baixos (ver o meu postal anterior);

[04m18s]: o Russell 2000 (IWM) fechou a semana em cima de uma resistência antiga ($118) e deverá retroceder nas próximas sessões; a zona de suporte a vigiar situa-se entre os $117 e os $117,25;

[04m50s]: os semincodutores (SMH) estão em claro padrão de correcção, com mínimos e máximos sucessivos mais baixos; por isso, o melhor é evitar este ETF por agora; a banda de suporte a vigiar encontra-se entre os $53 e os 53,5;

[05:29s]: o sector financeiro (XLF) teve uma semana horrível, tão horrível que apenas o petróleo conseguiu fazer pior; suporte entre os $23,75 e os $24;

[06h41s]: as biotecnológicas (IBB) parecem estar a aguentar um pouco melhor do que o resto do mercado, tendo fechado perto da última zona de resistência ($315-$320);

[07h16s]: o dólar americano (UUP) continua em forte tendência ascendente; "Quem apostar contra o dólar é um tolo", diz o Sr. Shannon, "porque todas as médias médias relevantes apontam claramente para cima";

[07h30s]: O mesmo pode ser dito para as obrigações (TLT);

A Apple (AAPL), a Ali Baba (BABA), a Google (GOOGL), a GoPro (GPRO), a Netflix (NFLX), a Tesla Motors (TSLA) e a Amazon (AMZN ) continuam de fugir; já a Tableau Software (DATA) está a dar alguns sinais de poder recuperar, mas ainda é cedo para abrir/reforçar posições.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

S&P 500, gráfico diário, 6 de Janeiro de 2015


Os mercados estão a fazer aquilo que já precisavam de fazer: corrigir. Nada que impeça a habitual histeria dos "peritos", dos "especialistas" e dos "gurus": "É agora! É agora! Vem aí o crash! Ai, Jasus! Vendam as vossas acções! Está tudo acabado!"... Mas basta olhar para o gráfico do S&P 500 para ver que não é bem assim:



Estão a ver a zona amarela no gráfico acima? É precisamente onde está  anterior resistência, entre os 2000 e os 2020 pontos. Travou a subida do índice entre Agosto e Outubro. Ora, o S&P 500 fechou hoje dentro dela, depois de rejeitar a zona abaixo do suporte nos 2000. E pouco abaixo dos 2000 pontos, encontramos logo outro suporte na casa dos 1980 pontos (zona cor-de-laranja). E depois há outro suporte importante nos 1960 pontos, e outro nos 1925 pontos, e outro nos 1900 pontos.

Pode parecer incrível, mas só desse nível (1900 pts) para baixo é que eu começarei a pensar em vender as minhas acções. Porquê? Porque eu não sou um especulador, sou um investidor: eu só vendo quando há sinais claros de reversão da tendência primária. Sinais que este gráfico ainda não mostra, porque esses sinais são pelo menos assim:


Portanto, vendam à vontade, "gurus" e seu rebanho! Vendam, que eu vou comprando...
 
Nota adicional: é evidente que nem sempre temos assim uma sequência assim tão bonita. Às vezes, os mercados afundam estilo prego na água, um bocado como tem estado a fazer o petróleo nas últimas semanas. Mas quem deixar cair as suas acções mais de 15% sem as vender ou usar mecanismos de hedging para se proteger, merece bem afundar-se! A propósito de hedging, aqui ficam quatro sugestões bombásticas para o caso dos principais índices caírem mais de 10%: SPXS, SDOW, SQQQ e TZA. Usar apenas em caso de quebra dos 1980 pts! E fechar imediatamente logo que as subidas sejam retomadas!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os melhores e os piores ETFs de 2014


Já aqui vos trouxe a lista resumida os ETFs que mais dinheiro receberam ou perderam durante o ano passado. Aqui fica agora uma lista mais detalhada com os ETFs que melhor e pior desempenho tiveram, em termos percentuais, durante 2014 (clicar na lista para aumentar o seu tamanho):


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Mercados americanos: a análise semanal de Brian Shannon (24)


Aqui fica a primeira análise semanal para o ano de 2015 do grande Brian Shannon. Uma nota importante: o Sr. Shannon vai deixar de seguir a evolução do ouro (GLD:NYSE), substiuindo-o pelo ETF que replica o índice das biotecnológicas, o iShares Biotech (IBB:Nasdaq GM). Parece-me uma decisão acertada, uma vez que o ouro está neste momento a lateralizar (embora ainda em Bear Market), equanto o IBB subiu cerca de  40% em 2014. 


Pontos-chave do vídeo do Sr. Shannon:

[01m22s]: no S&P 500 (SPY:NYSE), estamos em modo de correcção e abaixo da média móvel a cinco dias -MM(65)-; ainda não há motivos para alarme, uma vez que a tendência primária de subida ainda está longe de estar ameaçada, muito menos comprometida;

[02m30s]: o Sr. Shannon volta a enfatizar que o Nasdaq 100 (QQQ:Nasdaq GM) quebrou um suporte importante na casa dos $104-104,5; para abrir ou reforçar posições longas, temos de esperar que esse suporte, agora tornado resistência, volte a ser penetrado;

[04m02s]: o Russell 2000 (IWM:NYSE) está na mesma situação do Nasdaq; o nível de resistência a penetrar neste caso esta entre os $120,5 e os $120,75;

[05m44s]: as obrigações (TLT:NYSE) começaram o ano da melhor forma possível e foram as grandes vencedoras da semana; o Sr. Shannon menciona uma possível segunda "chávena com asa" depois de eu ter identificado esta aqui;

[06m59s]: apesar dos comentários da Presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, as biotecnológicas (IBB:Nasdaq GM) continuam a subir; o Sr. Shannon ironiza: "Janet Yellen não controla as acções das empresas biotecnológicas,  o mercado é que controla"; Mais uma vez, "a tendência é tua amiga";

[07m28s]: o petróleo (USO:NYSE) continua em queda livre e os comentários da última análise mantêm-se válidos; 

[09m10s]: a Apple (AAPL:Nasdaq GS) continua em modo de correcção e deve ser evitada;

Cinco imagens hilariantes acerca da realidade de transaccionar em bolsa

Moral da estória: investir na bolsa não é um passeio!

Moral da estória: "a tendência é tua amiga"; "apostar contra a tendência é como mijar contra o vento".
E também: "investir é saber determinar o timing dos mercados, quando entrar e quando sair".

Moral da história: a venerável Teoria de Dow ainda reina suprema;
(i.e. quando o máximo anterior não for superado, é altura de apertar as "stops" e redobrar a atenção).


Na vida, "quem conta um conto soma um ponto". No mercados, soma um romance inteiro!
(Ver também: "do pressimismo catastrófico à euforia disparatada")

Bis: "quando o máximo anterior não for superado, é altura de apertar as "stops" e redobrar a atenção".